Cena 1. Bordel Lovely's. Corredor/Escada. Dia.
Kelly e Kátia no alto da escada. Kátia ainda perplexa. Raul vai se despertando lá de baixo...
Kelly: Morreu coisa nenhuma... Vaso ruim não quebra.
Kátia: Quê que nós vamos fazer? Ele é capaz de matar a gente pra se vingar.
Kelly: (tramando) Calma! Ele não vai nos matar coisa nenhuma! Fica aí um minutinho. Eu vou pegar um negócio no quarto.
Kátia: (tensa) Quê que cê vai fazer, Kelly?
Kelly: (apressada) Cê vai ver. Deixa comigo.
Kelly desce as escadas, apressada, indo em direção a um quarto. Kátia fica por lá apreensiva...
Cena 2. Bordel Lovely's. Salão. Bar. Dia.
Raul, zonzo, sentado em um banco no balcão do bar, Kátia ao lado dele.
Raul: (dolorido) Que dor de cabeça, ai...
Kelly aparece trazendo um copo com água.
Kelly: Bebe, Raul!
Raul: (tonto) O que é isso?
Kelly: É pra você sentir melhor. Bebe logo!
Kelly coloca o copo na boca dele e faz com que ele beba toda a água.
Kelly: Isso, bom garoto!
Repentinamente, Raul desmaia e Kelly prontamente o segura, com dificuldade.
Kelly: Me ajuda a levar ele pro quartinho dos fundos, rápido!
Kátia: (assustada) O que foi que você botou nessa água?
Kelly: Botei bastante remédio pra dormir triturado. Vai dormir como uma pedra. Se ele acordar depois de amanhã, ainda vai ser cedo... (sentindo o peso) Me ajuda aqui. Vamos!
Kátia sorri e ajuda Kelly a levantar Raul. As duas apoiam os braços dele em seus ombros e vão seguindo para o quartinho dos fundos.
Cena 3. Bordel Lovely's. Quarto dos fundos. Dia.
Um quarto cheio de tralhas, engradados de cerveja, garrafas, etc. Kelly e Kátia, trazendo Raul, entram no quarto e atiram o homem em cima de uma cama.
Kátia: Agora você fica aí. Sem importunar ninguém!
Cena 4. Bordel Lovely's. Corredor. Dia.
Kelly e Kátia caminham pelo corredor, já dialogando.
Kelly: Nos livramos de um problema, mas ainda temos outro.
Kátia: As nossas meninas! Vamos pro hospital agora!
Kelly: Infelizmente eu não posso entrar lá! A minha mãe é enfermeira desse hospital. Ela não pode nem sonhar que eu sou sócia de um bordel…
Kátia: Meu Deus, Kelly… Eu pensei que todo mundo da sua família já sabia da sua situação... É, a gente realmente precisa se conhecer melhor!
Kelly: Ela nem desconfia que aquela bolada que eu recebi no ano passado foi fruto de um programa com um velhote! Eu menti. Disse que ganhei o dinheiro na raspadinha.
Flashback on: (inédito)
Num quarto de motel, Kelly, nua, em cima de um homem idoso, que usa terno e gravata.
Homem: Vem, me enloquece, gata!
Kelly: (seduzente) Vou te enloquecer sim!
Kelly começa a abrir os botões da blusa do homem...
Corta para:
Na sala de casa, Juliana sentada à mesa, separando os boletos, tensa e preocupada. Kelly aparece e entrega um envelope para a mãe.
Juliana: Quê isso?
Kelly: É pra pagar as contas, mãe!
Juliana: Como você conseguiu esse dinheiro?
Kelly: (confiante) Eu ganhei na raspadinha!
Flashback off.
Kelly: Pior ainda vai ser quando ela e a minha irmã descobrirem que com essa mesma quantia que eu recebi pelo programa, eu comprei 51% desse bordel, me tornando a sócia majoritária.
Kátia: E você acha certo mentir desse jeito? Você sempre diz que a sua mãe é uma mulher compreensiva.
Kelly: Eu tenho medo da reação dela, apesar dela não ser muito puritana. Mas afinal... Isso aqui é um prostíbulo. Nenhuma mãe quer sua filha trabalhando num lugar feito esse, independente da posição...
Kátia: Você é quem sabe, amiga. Eu não tô na sua casa, não sei da sua situação... Mas agora eu preciso ir pro hospital ver como tá aquilo!
Kelly: Por favor faça isso! Ah e quando for me ligar, vê se não fala meu nome… Me chama sei lá de… De Carolaine!
Kátia: (ri) Pode deixar, Carol…
Kelly sorri.
Kátia: Vou chamar um táxi!
Kátia tira o celular da bolsa.
Cena 5. Colégio Progredir. Sala de aula. Dia.
Aula normal. O professor escreve no quadro. Os alunos copiam em seus cadernos. Felipe olha pra Anne, encantado, não disfarçando… Danilo percebe e cutuca Gabriel, que está a sua frente.
Danilo: Olha lá o Felipe babando pela novata gostosa...
Gabriel: Por mim podia rolar alguma coisa entre nós quatro, não acha?
Danilo: Quê isso? Tá maluco? Que viadagem é essa? Sai fora!
Gabriel se sente envergonhado e se vira para frente, voltando a copiar.
O sinal toca. Todos se movimentam e se levantam, indo em direção à porta. Três garotas (Gabriela, Fernanda e Eduarda) caminham na direção de Anne, que se sente constrangida. O olhar das três transparece veneno.
Eduarda: E aí?
Anne: (tímida) Tudo bem?
Gabriela: É novata? Nunca te vi por aqui.
Anne: (tímida) É, eu sou… Entrei esse ano.
Fernanda: (rindo) Hum... Novata. Cuidado com o trote, hein?
Anne: Ai… Deus me livre. Quero distância de trote… Por favor!
Eduarda: Do trote não tem como escapar não, bonitinha...
Anne: Espero que tenha dessa vez.
Anne solta um risinho sem graça e se dirige à saída da sala.
Eduarda: Gente, essa aí tá com marra! Mas vai tomar bonito...
Fernanda: O saco de farinha que tá na minha mochila está ansioso pra ser aberto…
Gabriela: E os ovos? Loucos para serem quebrados!
Elas riem maliciosamente. Tiago (17) as observa do fundo da sala, sem ser notado. Ele escuta tudo com desaprovação.
Cena 6. Colégio Progredir. Corredor/Escadaria. Dia.
Anne descendo as escadas em meio à uma multidão de alunos. Tiago corre até ela e toca seu ombro.
Tiago: Anne?
Anne: Oi?
Tiago: Se esconde! Ouvi que as meninas do Trio do Pop vão jogar farinha e ovo em você! Corre!
Tensão. Close em Anne.
Abertura:
Cena 7. Colégio Progredir. Escadaria. Dia.
Continuação imediata: Anne tensa diante de Tiago:
Anne: Como assim?
Tiago: Elas são malucas! Adoram fazer essas maldades com quem é novato. Se esconde antes que elas te sujem!
Anne: Qual é o banheiro mais distante daqui?
Thiago: Vem comigo, eu te levo!
Thiago puxa Anne pela mão e eles descem as escadas, correndo.
Cena 8. Hospital. Recepção. Dia.
Kátia entra pela porta automática, indo até a recepção.
Kátia: Bom dia, eu preciso saber informações sobre as meninas da van que tombou. Eu sou a responsável por elas!
Recepcionista: Sua identidade por favor!
Kátia tira sua identidade da bolsa e entrega à recepcionista.
Recepcionista: Um momentinho.
Ela digita algo no computador.
Recepcionista: Três delas estão na enfermaria, tiveram ferimentos leves. O restante está na sala de espera, não houve enhum ferimento.
Kátia balança a cabeça positivamente.
Cena 8. Bordel Lovely's. Escritório. Dia.
Kelly sentada na mesa do escritório, ao celular:
Kelly: (cel) Oi Katinha. (T) Já tô mandando a nova van pra buscar vocês no hospital. (T) É claro que não vai ter mais orgia, elas precisam ficar de repouso! (T) Tá bom, tchau.
Kelly desliga e vidra o olhar, pensativa.
Kelly: Se fosse o Raul no comando... Essas meninas iam pro pau, até em cama de hospital. Ainda bem que ele não apresenta mais perigo por enquanto... Tá lá, no sono profundo dele...
Cena 9. Bordel. Quartinho dos Fundos. Dia.
Raul dormindo profundamente... Tensão.
Cena 10. Colégio Progredir. Vestiários. Dia.
Thiago e Anne chegam, ofegantes, na área de vestiários, ao lado do ginásio poliesportivo.
Thiago: Aqui ninguém te acha, Anne!
Anne: Poxa, obrigada! Nem sei como te agradecer.
Thiago: (sorridente) De nada! Só quis ajudar.
Anne: Como é o seu nome?
Tiago: É Tiago!
Eles sorriem um para o outro.
Cena 11. Colégio Progredir. Pátio. Dia.
Gaby, Fernanda e Eduarda entram no pátio. Fernanda segurando uma bolsinha.
Fernanda: Ué, gente... Vocês tão vendo a cagona?
Gaby: Será que ela se escondeu?
Duda: Se a gente não pegar ela no intervalo, a gente pega na saída.
Gaby: Mas o legal seria o mico que ela ia pagar. Imagina ela toda suja de farinha na aula?
Elas gargalham.
Fernanda: Ela não vai escapar da gente.
Cena 12. Colégio Progredir. Diretoria. Dia.
Stela coloca alguns documentos em uma pasta e a fecha.
Stela: (com a pasta em mãos) Vou guardar isso agora no arquivo!
Ela se levanta de sua cadeira, quando tropeça no falso, cai no chão e torce o pé.
Stela: (chorando, com dor) Ai, ai, ai.
Neste momento Yara entra na sala e a vê caída.
Yara: Stela? O quê que aconteceu?
Stela: (com lágrimas nos olhos) Ai Yara, eu torci o pé! Tá doendo demais!
Yara: Se apoia em mim, Stela, vou te levar no hospital! Vem cá, vem!
Yara dá a mão para Stela e a ajuda a levantar.
Yara: Cuidado!
Stela com muita dificuldade para se manter de pé.
Cena 13. Trânsito de BH. Dia.
Drone capta imagens aéreas do caótico trânsito... Foco no carro em que Yara dirige com Stela ao seu lado.
Cena 14. Hospital. Enfermaria. Dia.
Juliana termina de enrolar um esparadrapo no pé de Stela, que sorri.
Stela: Nossa... Nem sinto mais dor! Suas mãos são mágicas.
Juliana: Quê isso... Obrigada! Mas sua lesão foi leve, não chegou a romper nenhum ligamento!
Stela: (ri) Que bom, né?
Juliana: É, que ótimo.
Stela: E qual é o nome dessa fada madrinha que acaba de me salvar da maior dor do mundo?
Juliana: Você é muito engraçada... Meu nome é Juliana. E o seu?
Stela: É Stela! Muito prazer!
Juliana: Satisfação!
Elas se olham por alguns instantes e soltam um sorriso discreto. Juliana fica tímida e desvia o olhar.
Stela: É... Sabe me dizer onde fica o banheiro?
Juliana: Claro. Eu te ajudo a ir até lá!
Cena 15. Hospital. Toilet. Dia.
Banheiro vazio. Juliana ajuda Stela a entrar no banheiro. Juliana fecha a porta e quando se vira, percebe Stela a observando... O clima é de tensão e tesão entre as duas. Juliana ainda é resistente, já Stela está aberta a tudo.
Stela: (disfarça) Nossa, esse seu brinco é lindo! Onde você foi que você comprou?
Juliana: (gagueja) Ah... Meu brinco? É... Foi na joalheria... Na joalheria Ouro Blindado, num shopping aqui perto...
Stela: (seduzente) Conheço... E gosto!
Juliana olha pros lábios de Stela, que os lubribica. Ela fecha os olhos, confusa.
Stela: Tá tudo bem?
Juliana: Não, claro! Tudo ótimo!
Juliana liga a torneira, passa uma água no rosto, depois pega algumas toalhas de papel e se enxuga. Ao olhar pelo reflexo do espelho, vê Stela a observando novamente.
Juliana: Por que você me olha desse jeito? Tem alguma coisa de errado comigo?
Stela: De errado? Não... Mais certo seria impossível... Desde que eu coloquei os olhos em você, eu senti alguma energia diferente rolando... Será que eu tô certa... Ou eu tô louca?
Juliana e Stela se comem com os olhos.
Foco em Stela e Juliana/ A imagem congela com o fundo esfumaçado.
(Encerramento normal)


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