CINE RANABLE
JEZEBEL: A GATA BORRALHEIRA - PARTE 1
idealizado e roteirizado por
FELIPE ROCHA
classificação indicativa
"Livre para todos os públicos"
baseado em
"A Viúva Alegre", "Chocolate Com Pimenta", "Cinderela"
(Walcyr Carrasco e Irmãos Grimm)
GÊNERO
Comédia pastelão
baseado em
"A Viúva Alegre", "Chocolate Com Pimenta", "Cinderela"
(Walcyr Carrasco e Irmãos Grimm)
GÊNERO
Comédia pastelão
"Esta é uma obra coletiva de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade. Não se assuste com as fantasias e as coisas surreais encontradas nesse filme."
CENA
01. STROCK SHOTS. NARRAÇÃO
Narrador
— Era uma vez... Uma linda vez em que Jezebel
vivia nos luxos, em um palácio, com o príncipe da Inglaterra. Ela estava linda,
pleníssima, e pronta para brilhar e pisar com seu salto de 50. Jezebel
desfrutava das comidas, da cama com seu marido, de todas as joias. Ela era tão
feliz, não faltava nada, não tinha pirralhos correndo pela casa, tampouco “Anas
Franciscas sonsas”. Era a primeira vez que ela se estava sentindo uma rainha.
Mas será que ela estava tão feliz assim? Nada! Nossa, caro leitor, você que
deve ter acreditado em minhas palavras... caiu no conto do vigário, presta
atenção! Se você realmente está gostando da história, devia ter enxergado a
real face nela, seu bobo! Ah gente, Jezebel só não passava de uma escrava,
suja, humilhada. Trabalhava para uma madame numa fazenda latifundiária de
café... Gente, Jezebel não tinha nem dinheiro para comprar um par de sapatos!
Agora eu te pergunto, isso era luxo? Coitada? Depois de tudo que ela aprontou
com Ana Francisca? Gente, coitada nada! Quer dizer / cada leitor tem sua
opinião, mas Jezebel tinha um plano, um plano infalível. Como toda vilã
consagrada tem, o plano dela era... Não, não! Não vou estragar a surpresa dessa
história! Acompanhe mais uma aventura da melhor vilã da TV Brasileira!
Apresento a vocês:
JEZEBEL
– A GATA BORRALHEIRA
Inspirado
em Cinderela
Narrador
— Podem pegar a pipoca, mas cuidado benhê! Cuidado para não ir no nariz. Podem jogar para cima e fazer aquelas palhaçadas, só não suje a fazenda, senão Acheropita mata vocês!
CORTA
PARA:
CENA
02. FAZENDA. SALA. INTERIOR. DIA
Uma
legenda com o nome da fazenda: BOA ESPERANÇA.
Jezebel
limpa o chão, ajoelhada, esfregando o pano. Uma das filhas do proprietário da
casa esbarra de propósito no balde de Jezebel. Ela se irrita.
AGRÍCOLA
— Ah, desculpa. Não tinha visto você aí. Eu não costumo enxergar empregadas.
JEZEBEL
— Ora, ora! O que é isso? Como estou sendo humilhada! Da próxima vez, vê se
enxerga então, tem olhos para quê? Para ver e comer!
AGRÍCOLA
— Não costumo enxergar gente que não é importante na minha vida, com elas, eu
descarto, jogo para um lado. Assim como eu tô fazendo com você, queridinha!
Beijos de luz. E se bater desesperada no meu quarto, considere que eu não
estou!
Agrícola
sobe para o seu quarto.
JEZEBEL —
Gente mal educada. (imita) “Não costumo enxergar quem é importante na minha
vida”. Ah, vai te catar minha filha.
Acheropita,
a esposa do proprietário, vê Jezebel reclamando e corrige.
ACHEROPITA — Mais trabalho e menos reclamação Jezebel! O filho do delegado virá a fazenda escolher a moça mais bela para casar! Teremos um baile. Dizem que ele tem boa bufunfa. Ah, eu sonho com um futuro desses para as minhas filhas.
JEZEBEL —
(pensa alto) Boa bufunfa? Então é minha chance.
ACHEROPITA —
Disse alguma coisa, Jezebel?
JEZEBEL —
Nada. Impressão sua.
ACHEROPITA —
Bom, se disse alguma coisa sobre o baile, o meu palpite é que empregadas como
você não devem ir ao baile... só para garantir mesmo. Antes que alguém caia
duro. Está bem. Agrícola já chegou?
JEZEBEL —
Subiu para o quarto, minha filha. Nervosa. Só faltou me matar com uma faca.
ACHEROPITA —
Deve ser a nova crise amorosa.
JEZEBEL —
Da sua filha cuida você, senhora.
ACHEROPITA —
O quê?
JEZEBEL —
(disfarça) Nada não.
ACHEROPITA —
Muito Bem. Bom trabalho.
Acheropita
sobe as escadas.
Em seguida,
chega o patrão da casa procurando pela esposa (Acheropita) e tirando o terno.
XISTO — Meu
amor, Pita, Pita! Cadê você? Eu vim aqui só para te ver! Hoje é dia da tcheca
cantar, o cegonho está nas nuvens! Meu amor!
Xisto olha
para Jezebel.
XISTO — Olá
Jezebel.
JEZEBEL —
Bom dia senhor, algum desejo?
XISTO —
Desejo minha mulher, tenho um presente para ela. O cegonho minha filha, esses
dias ele tá bom, sabe? Eu fui no Urologista, ele me passou um remédio, tiro e
queda!
JEZEBEL —
Ah é? Fico feliz pelo senhor.
XISTO —
Cadê ela? Cadê ela minha filha?
JEZEBEL —
Acabou de subir procurando sua filha, Agrícola. Hoje os neurônios dela estão
fervendo.
XISTO — Ih
gente, justo na hora que o cegonho tá bom.
JEZEBEL —
Olha eu recomendo que o senhor espere sentado ou vá correndo.
XISTO —
Obrigado Jezebel.
JEZEBEL —
De nada, volte sempre!
Xisto sobe
as escadas.
JEZEBEL —
Ah, que povo nojento! Deus que me livre! Cada um mais doido que o outro!
CORTA PARA:
CENA 03.
FAZENDA. CHIQUEIRO. INTERIOR. DIA
Jezebel
limpa o chiqueiro. Um dos porcos a olha.
JEZEBEL — Ah
que nojo! Que nojoooo! Quê que foi hein? Quê que você tá me olhando assim? Por
acaso eu tô diva, pleníssima. Ah, eu vou te dizer uma coisa... sempre fui!
(pensa) Peraí... eu conversando com porco? Credo, isso é coisa de doido,
preciso sair dessa casa o mais rápido. A menos que hoje eu vá o baile e me case
com o filho do delegado, imagina, viverei no luxo, banheira. Voltarei a ter
minha vida normal, Ana Francisca, me espere! Final feliz não tem não, bebê.
O papagaio
no curral fala com Jezebel.
O porco faz
OINC, OINC, OINC, OINCCCCC
JEZEBEL —
Ai, credo! Que porcaria! (ao papagaio) Seu insolente! Que falta de respeito!
Como ousa se dirigir assim a uma diva como eu? Olha que eu vou te corrigir,
papagaio inútil! Estrupício.
Nesse
momento, Roseli chega de carro.
ROSELI — Eu
ouvi “final feliz”?
Jezebel se
assusta com Roseli e cai de bunda no chiqueiro. Roseli ri.
JEZEBEL — Curuz
credo! Eu jurava que não iria ver a sua cara mais na minha vida, peguei um
terço, rezei, rezei! Olha o que você fez, estrupício. Quê que você tá fazendo
aqui? Vá embora, vá imprestável! Hoje não tô muito boa para ver assombração,
não.
ROSELI —
Somente vim apreciar a sua decadência.
JEZEBEL —
Ah é? Pois aprecie? Veja de perto, ao vivo! Um dia também volta para você!
ROSELI — Eu
não vou discutir Jezebel, a pessoa que tá dizendo isso é a que recebeu de
volta.
JEZEBEL —
(alterada) Olha eu posso saber o que você tá fazendo aqui?
ROSELI —
Vim aqui te visitar, uai. Não fica feliz?
JEZEBEL —
Feliz? Você acha que eu tô feliz? Nesse lugar? Isso aqui nem é um paraíso.
Agora diga, estrupício. Quê que você quer? Me fazer descer o nível, mais
afundada que eu estou?
ROSELI — Eu
só vim te avisar sobre o baile, sobre o filho do delegado que está vindo para
cá.
JEZEBEL — E
você acha que eu já não sei, estrupício? Devia ter empurrado mais a carretinha,
talvez chegasse rápido antes de me informarem.
ROSELI —
Bom, a verdade é que me mandaram para te maquiar.
JEZEBEL — O
quê? Ora, ora! Você? Deus que me livre! Pau mandado. Pode voltar pra o buraco
que você veio.
ROSELI — Então,
se é assim Jezebel, eu vou embora mesmo!
JEZEBEL — Não, não. Espera. Você é muito útil!
ROSELI — Agora resolveu?
JEZEBEL — Já que eu não tenho outra opção... Tá bom! Você pode me ajudar sim. Desde que não use aquelas roupas cafonas e fantasias.
ROSELI — Ah, Jezebel! Será preciso usar algumas fantasias. Ninguém pode te reconhecer. A empregada não foi convidada para o baile. Você terá que servir.
JEZEBEL — Ora, ora. É mesmo! Mas eu não vou servir ninguém, vou me apresentar como uma das moças que querem conquistar a mão do filho do delegado.
ROSELI — Pois bem Jezebel! A caracterização será diferente do que estamos acostumadas. Você precisa parecer uma moça de família, Jezebel. Só assim conquistará o delegado.
JEZEBEL — Verdade! Ah Roseli você é uma gênia, pelo menos você presta para alguma coisa né? Pois vamos minha filha, o que está fazendo parada aí?
Em seguida, Agrícola chega chamando por Jezebel.
AGRÍCOLA — Ô Jezebel! Ô sua empregada imprestável, onde você estava?
Jezebel vê Agrícola saindo da morada e diz a Roseli.
JEZEBEL — Vamos Roseli, é aquela filha metidinha da Acheropita, você precisa esconder logo!
ROSELI — Mas onde eu vou esconder?
ROSELI — Mas onde eu vou esconder?
JEZEBEL — Ah sei lá! Escolhe qualquer lugar aí! Oh como eu sofro!
Roseli se esconde.
Agrícola se aproxima de Jezebel e dá uma carta para ela.
AGRÍCOLA — Toma.
JEZEBEL — Mas o que é isso, minha querida?
AGRÍCOLA — Primeiro... Nunca, em hipótese alguma, use o vocativo "minha querida" para caracterizar minha pessoa. Certo? Isso é uma carta, nunca viu não!
JEZEBEL — Mas é claro que eu vi minha queridinha... digo... Agrícola!
AGRÍCOLA — Pois então entregue rápido para a fazenda vizinha.
JEZEBEL — Mas qual tipo de carta que é?
AGRÍCOLA — Como assim?
JEZEBEL — Talvez seja uma carta amorosa sua, que não convém ser importante agora né? Estou atarefada!
AGRÍCOLA — Olha aqui, está fazendo mal juízo de mim?
JEZEBEL — Não, não. Claro que não.
AGRÍCOLA — É claro que não é uma carta de amor! Eu nunca faria isso, eu não tô precisando de homem agarrado no meu rabo de saia! Agora faça o favor de entregar essa carta, ou eu falarei com a mamãe para te demitir. É isso que você quer?
JEZEBEL — Está bem, está bem! Eu entrego. Mas cadê o cavalo?
AGRÍCOLA — Não estou vendo nenhum cavalo aqui, nem carroça.
JEZEBEL — Então como você quer que eu entregue?
AGRÍCOLA — Tem vários bichos aí na fazenda, queridinha. É só escolher um e ir até lá, ou então, você mesma vá a pé. Que entregue a carta!
JEZEBEL — Está bem, pode ir.
Agrícola dá as costas e Jezebel, nervosa, mostra a língua. Agrícola percebe e faz um sinal para Jezebel: "Tô de olho em você". Roseli sai do esconderijo, tossindo.
ROSELI — Ah, meu Deus! Que poeira!
JEZEBEL — Roseli! Ainda bem que eu te encontrei. (entrega a carta) Toma, vá entregar para mim na fazenda vizinha, anda estrupício, eu não tenho tempo!
ROSELI — Eu? Mas eu não sei onde é essa fazenda?
JEZEBEL — Só tem duas fazendas nessa área! Vá seguindo em frente e a primeira que você encontrar, bata na porta! Anda, vai!
Roseli vai embora.
O papagaio comunica com Jezebel.
PAPAGAIO LUÍS — Piranha, piranha!
JEZEBEL — (se irrita) Olha que eu te atiro a primeira pedra, inútil!
O porco corre pelo curral e espirra lama em Jezebel.
O porco corre pelo curral e espirra lama em Jezebel.
JEZEBEL — Você tá achando que eu sou sua empregada? Vou ter que limpar isso tudo de novo! Ah, sabe o que dava vontade de fazer com vocês dois? Soltar em qualquer canto por aí!
Jezebel bastante nervosa.
Jezebel bastante nervosa.
CORTA PARA:
CENA 04. FAZENDA. QUARTO CASAL. CAMA. INTERIOR. DIA
Xisto e Acheropita na cama.
XISTO — Vamos Acheropita, justo hoje meu amor! O Urologista falou que tá tudo bem.
ACHEROPITA — Olha você faça o favor de não insistir mais, agora não, eu preciso pensar!
XISTO — Mas meu amor, o remédio é como o pó encantado da fada madrinha, ele só funciona por horas!
ACHEROPITA — Então deixe que ele murche! Não me incomode agora! Eu não quero ter filhos!
Xisto mostra a camisinha para Acheropita.
XISTO — Olha aqui meu amor, eu comprei esse saco plástico, você acha que ele cabe?
Acheropita se assusta.
ACHEROPITA — Ah, meu Deus! O que é isso?
XISTO — É a fórmula mágica para evitar filhos! Só que eu não sei como enfia. Não vem manual de instruções, nada. Só cupom fiscal e um tanto de saquinhos.
ACHEROPITA — Que negócio nojento, onde você achou isso?
XISTO — Achei numa lojinha aí. Não precisei nem de abrir minha carteira. Venderam por R$ 1,99. Ah, será que isso funciona mesmo? Nunca nem vi!
Acheropita vê Xisto tentando se lidar com a camisinha e tampa os olhos.
ACHEROPITA — Ah que horror, que horror! Joga isso fora, saia daqui já! Eu não quero ver coisas feias na minha frente.
XISTO — Mas meu amor, eu estou tentando enfiar o negócio, ele não quer descer!
A camisinha rasga e faz barulho. Fura.
ACHEROPITA — Xisto, fecha essa calça!
Xisto fecha a calça.
XISTO — Que porcaria é essa? Eu vou botar fogo! Nem sei porque estou vendendo.
ACHEROPITA — Ah tanto faz! Larga esse negócio para lá!
XISTO — Tá. O que você quer?
ACHEROPITA — Ah, eu estou preocupada. Não vê não?
XISTO — O que foi mulher? Eu não gosto de ver você murcha assim.
ACHEROPITA — É hoje! Hoje o baile! E nós só temos uma empregada. As nossas filhas não tem nem roupa direito! E nós precisamos casar uma delas! Eu não quero que elas fiquem esperando em pé a vida toda.
XISTO — Ah, meu Deus! É mesmo! O baile é hoje! E os preparativos?
ACHEROPITA — Mandei encomendar doces e salgados. Vem quase todos os parentes deles da cidade e o pessoal da outra fazenda. Inclusive mandei uma carta para eles.
XISTO — Não posso crer! Vem a tropa toda para essa fazenda. Ela já está caindo aos pedaços, e tem lotação máxima! O telhado vai cair em cima da cabeça de todo mundo!
ACHEROPITA — Ah, Xisto! Não vamos pensar assim! Pelo menos é a chance. Imagina se uma das nossas filhas casa com o filho do delegado? Seria um sonho! A nossa vida mudaria num estalo de dedos! Xisto, eu tenho uma ideia! Pegue as minhas economias no banco, vá a cidade, e compre novos vestidos.
XISTO — As economias? Mas as economias são para pagar os mantimentos.
ACHEROPITA — Tanto faz, depois a gente arruma. Agora vá. Anda, rápido!
Xisto termina de vestir a calça e vai embora.
Xisto termina de vestir a calça e vai embora.
CORTA PARA:
CENA 05. ESTAÇÃO DE TREM. INTERIOR. DIA
O delegado Acácio e seu filho Márcio esperam o trem na estação.
MÁRCIO — Ah, meu Deus! Esse trem está atrasando. Eu disse para o senhor! Para que voltar aos costumes antigos? Hoje tem avião. A essa hora já estaríamos na fazenda. Vamos demorar um século para chegar até lá. Do jeito que esses trens de hoje estão, é capaz de termos que ir a pé!
DELEGADO ACÁCIO — Ei, ei! Calma! Só queria voltar as raízes. E não há nenhum avião que vá para a boa esperança!
MÁRCIO — Queria ter ficado aqui mesmo! Ao lado do meu tio Diego, ele sim me apoiava. Agora o senhor vem com essa ideia maluca de me casar, meu pai.
DELEGADO ACÁCIO — Nunca é tarde! E não sou eu que estou querendo, você precisa desabrochar, criar asinhas e viver a sua vida! Olha e eu garanto que as moças de Boa Esperança são primorosas! Não são de se jogar fora não.
MÁRCIO — Vou tentar confiar em você. Só espero que eu não seja enganado. Se eu não interessar por nenhuma, eu me caso com minha noiva Ângela, e dou um fora daqui.
CORTA PARA:
CENA 06. FAZENDA BOA ESPERANÇA. CASEBRE. INTERIOR. DIA
Numa pequena casinha de sapé, Roseli chega e encontra Jezebel sentada na cama.
ROSELI — Cheguei!
JEZEBEL — Mas já? Já entregou a carta? Até que foi rápida hein! Roseli tô te admirando minha filha.
JEZEBEL — Mas já? Já entregou a carta? Até que foi rápida hein! Roseli tô te admirando minha filha.
ROSELI — Pois é, no caminho encontrei um comem de carroça e ele me deu uma carona até lá. Gentil, até simpático.
JEZEBEL — Ah, é? Então vamos parar de falar de homem! Agora me diga, você trouxe alguma maquiagem boa?
Roseli abre o estojo de maquiagens. Jezebel se assusta com a pobreza.
JEZEBEL — Que isso? Que maquiagens são essas?
ROSELI — As minhas!
JEZEBEL — Nossa, isso aqui não serve para nada. Tudo cafona, brega. Estragado. Tem maquiagem mais chique que essa, você está desatualizada.
ROSELI — Olha Jezebel, é melhor parar de reclamar ou eu não vou te arrumar para a festa!
JEZEBEL — Então vai! Pode começar a passar a maquiagem. Oh como eu sofro!
ROSELI — Você vai ficar irreconhecível com essa peruca. (mostra a peruca).
JEZEBEL — Quê que isso, estrupício? Ah não, de jeito nenhum que vou usar isso! Parece a peruca longa dos reis da Idade Moderna, Luís XVI. Não, não! Aqui não é circo não, acho que você veio no lugar errado.
ROSELI — Olha, pare de reclamar! Chega! Se estiver insatisfeito, pegue a sua cara feia, enfie no fiofó e reclame para dentro!
Roseli passa maquiagem no rosto dela. Tempo... Jezebel abre os olhos, e após isso, se admira.
JEZEBEL— Roseli, até que você não é de se jogar fora! Eu vou brilhar nesse baile, só vem esse filho do delegado para mim!
Roseli sumiu.
JEZEBEL — (grita) Roseli? Roseli? Onde você está estrupício?
CORTA PARA:
CENA 07. FAZENDA BOA ESPERANÇA. INTERIOR. DIA
Roseli avisa a Agrícola e Acheropita, invadindo a casa.
ROSELI — Gente, gente!
AGRÍCOLA — Quem é você minha filha? Como ousa invadir a nossa morada desse jeito?
ACHEROPITA — Deve ser irmã da Jezebel, não é? Roseli, né.
Roseli mente.
ROSELI — Sim, eu mesma! Em carne e osso.
Roseli desesperada.
ACHEROPITA — O que você está precisando? A sua irmã Jezebel está trabalhando, ela não pode conversar com você!
ROSELI — Então, é isso mesmo que eu queria falar com vocês. A Jezebel foi embora.
ACHEROPITA — Como assim? Foi embora.
ROSELI — Ela resolveu largar tudo, parece que encontrou um emprego melhor.
ACHEROPITA — O quê?
Acheropita desmaia e Agrícola a socorre.
CORTA PARA:
FIM DO CAPÍTULO
Continua....
Na próxima parte
O filho do delegado finalmente chega a fazenda! Quem ele vai tirar para dançar? Qual será a dama sortuda que casará com ele? Será que ele se interessará por alguém?
E mais: Xisto vai a cidade buscar os vestidos. Será que ele vai encontrar o que quer a tempo do baile?
E Jezebel: Será que ela conseguirá realizar seu sonho?
Não perca, no próximo domingo, a parte II (última) dessa comédia:
JEZEBEL - A GATA BORRALHEIRA



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