Capítulo 24 (Penúltimo Capítulo)
Escrito por: Selma Dumont
Cena 1. Salão de Eventos. Passarela. Noite.
Talita desmaiada em plena passarela. O falatório começa, maior confusão. Os convidados assustados com o repentino desmaio. Os flashs não param. Priscila e Marcelo, preocupadíssimos, correm e sobem na passarela para socorrer Talita. A garota vai abrindo os olhos, confusa, amedrontada.
Priscila: Talita, pelo amor de Deus, o quê que houve?
Talita: (confusa) Eu vi… Eu vi ela! Ela tá ali!
Marcelo: Ela quem?
Kátia, Yara, Mya, Rafael e Yago também sobem na passarela, alarmados, indo até eles. Kátia se abaixa para falar com a filha.
Kátia: (preocupada) Talita, minha filha.
Talita: (agoniada) Mãe! Ela tá ali! Ela voltou pra me infernizar!
Kátia: Quem, meu Deus?
Talita: A Alice!
Kátia: (assustada) A Alice?
Kátia olha para a platéia, mas não vê ninguém com a aparência de Alice.
Kátia: É impossível, minha filha, a Alice tá morta!
Talita esfrega os olhos e observa a platéia. Luana não está mais entre os convidados.
Talita: Ela não tá mais lá, mas eu vi… Tava bem ali! (Aponta para uma cadeira vazia) Será que eu tive uma alucinação?
Marcelo: Eu vou levar você pro hospital. Você não pode passar esse estresse. Esqueceu que você tá grávida?
Talita: Não quero ir pra hospital nenhum. Eu tô bem! Vou ficar em algum camarim vazio até eu me acalmar! Esse desfile tem que continuar.
Priscila: Não se preocupa com isso! Marcelo, leva ela pro camarim, eu vou tentar acalmar as coisas por aqui.
Marcelo: Claro! (Se abaixando para pegar Talita) Vem comigo.
Marcelo carrega Talita no colo e vai levando-a na direção dos camarins. Kátia, Yara, Mya, Rafael e Yago os seguem. Priscila pega um microfone, liga-o e se dirige até o centro da passarela.
Priscila: (microfone) Pessoal!
Ninguém dá ouvidos, o falatório ainda é intenso.
Priscila: (grita) PESSOAL!
O silêncio se instaura. As pessoas dirigem suas atenções à Priscila.
Priscila: (microfone) Tivemos um pequeno contratempo. Nossa modelo Talita Bianchini teve um pequeno mal-estar, mas já está se recuperando. Nos minutos em que ela desfilou aqui nesta passarela, vocês puderam sentir a força e a presença dessa mulher incrível, forte e maravilhosa. Talita é um exemplo de mulher… Do tipo que não tem medo de se arriscar. Nos seus planos estava se formar como arquiteta, mas ao ser descoberta pelo nosso queridíssimo Caio…
Caio dá um tchauzinho.
Priscila: (continua) A modelagem entrou nos caminhos dela, que em pouco tempo se tornou a mais nova promessa do meio! E é com muita alegria que venho informá-los que nossa querida Talita Bianchini está grávida! E apesar de não parecer… Já está com cinco meses!
Os convidados reagem surpresos.
Corta para: Atrás de uma pilastra, Luana perplexa ao escutar o que Priscila acabara de dizer.
Luana: Grávida?
Corta para: Priscila ao microfone.
Priscila: Em homenagem, peço a vocês uma salva de palmas pra essa mulher tão cativante! Por favor, palmas pra Talita!
A platéia aplaude, calorosa. Priscila sorri.
Priscila: (microfone) E o nosso desfile retorna dentro de alguns instantes.
Priscila deixa a passarela e vai correndo rumo aos camarins. Música volta. Os convidados voltam a conversar entre si. Luana circula pelo salão, segurando uma taça de espumante.
Luana: Grávida, é…? Interessante…
E ela toma um gole do espumante. Muito suspense.
Cena 2. Salão de Eventos. Camarim. Noite.
Todos os que importam estão ali, exceto Rafael e Mya. Talita sentada em uma poltrona.
Kátia: Mas você tem certeza que viu a Alice?
Talita: Vi, mãe. Vi nitidamente. Era ela. Eu não sei se tô louca, se tô drogada, esclerosada… Mas eu tenho certeza que vi. Ela lá na platéia, sorrindo pra mim… Com aquele mesmo sorriso malicioso que me desperta 1001 traumas…
Kátia: Nossa, até me arrepiei…
Mya e Rafael entram no camarim, trazendo uma xícara com chá.
Mya: (levando o chá para a irmã) A gente pediu pro pessoal do buffet providenciar esse cházinho de maracujá pra você se acalmar.
Talita pega a xícara e toma.
Yara: Isso, bebe esse chá. Você não pode se exaltar.
Talita: Ai, gente, eu não queria estragar o desfile. Tava indo tudo tão bem… Me desculpa mesmo!
Marcelo: Para com isso, meu amor. Essas coisas acontecem, é assim mesmo.
Talita: Vocês todos por favor podem voltar pra festa. Eu queria que só a minha mãe ficasse aqui comigo até eu me recompor.
Marcelo: Tudo bem, linda. Eu preciso mesmo voltar, tenho que mandar retomarem com o evento.
Marcelo se retira.
Yara: Fica bem!
Yara beija a cabeça da afilhada, em seguida ela e Yago se retiram. Mya e Rafael ainda continuam.
Talita: (aos irmãos) E por que vocês dois não voltam pra aproveitarem o desfile? Tá bombando, vão pra lá se divertir.
Rafael: Mas…/
Kátia: Vão, podem ir. Eu fico aqui cuidando dela.
Mya: Tá bom, né…
Mya e Rafael saem do camarim, fechando a porta. Talita e Kátia agora a sós.
Talita: Tô com medo, mãe. Tô assustada.
Kátia: Calma, calma…
Kátia abraça a filha, acalentando a garota. Tempo.
Cena 3. Salão de Eventos. Jardim. Ext. Noite.
Sentadas debaixo de uma árvore, Luana e Heloísa brindam com espumante, enquanto fumam.
Luana: Deu certo! Consegui fazer com que o desfile da nojenta fosse um fiasco.
Heloísa: É uma pena eu ter ficado aqui do lado de fora… Queria ter visto essa vergonha.
Luana: (gargalhando) Foi hilário! Hilário! A Talita pensando que eu sou o fantasma da Alice. A cara que ela fez, mãe… E depois de ficar branca como uma vela, ainda tive o prazer de vê-la se esborrachando na passarela, no meio de todo mundo, pagando o maior mico da vida dela…
Heloísa: De onde ela estiver, a Alice está rindo juntinho com você!
Luana: Com certeza está! (Dá mais um gole no champanhe) Eu ainda preciso voltar lá dentro pra aloprar ainda mais essa ridícula. E de uma coisa eu posso te garantir, mãe: Esse filho que ela está esperando não vai nascer!
Muita tensão. Close em Luana.
Cena 4. Hospital. Quarto. Noite.
Laura de olhos abertos, mas ainda imóvel. Bianca por lá, fazendo companhia. Ela faz um cafuné em Laura.
Bianca: Amanhã você começa com os seus exercícios, minha flor… Não vejo a hora de você voltar a falar, andar… Pra gente poder sair, fazer compras, se divertir… Tô muito feliz que você acordou, amiga… Muito!
Bianca dá um beijinho na bochecha de Laura. Instantes e o celular de Bianca toca. Ela pega o aparelho, vendo se tratar de uma ligação de Rodolfo.
Bianca: Que saco… O quê que o Rodolfo ainda quer?
Ela sai do quarto com o celular em mãos.
Cena 5. Hospital. Recepção. Noite.
Bianca ao celular.
Bianca: (cel) Eu já disse que eu não quero ter mais nada com você, Rodolfo! Eu não suporto a ideia de um homem querendo mandar em mim! Isso aí já é demais. Eu não nasci pra ser controlada!
Cena 6. Botequim. Noite.
Rodolfo tomando uma cerveja numa mesa de bar, enquanto fala ao celular.
Rodolfo: (cel) Você não pode acabar tudo assim, por causa de uma discussão idiota! Eu te amo, Bianca, eu mudei minha vida toda pra poder ficar com você!
Bianca: (cel) Você se mudou pra cá porque quis. Disse que sempre foi louco pra morar em uma cidade praiana. Eu já disse que entre nós não tem mais volta! Seu comportamento tem me assustado muito. Vê se me esquece, por favor!
E Rodolfo começa a se alterar.
Rodolfo: (cel) Você é uma vagabunda, isso sim! Não aguenta ficar muito tempo com um homem só e aí tem que arranjar uma desculpinha cheia de firula pra terminar. É uma vadia, uma piranha. Aliás, mulher é tudo piranha mesmo! Você, a Talita… Nenhuma presta! Bando de puta!
Cena 7. Hospital. Recepção. Noite.
Bianca imediatamente encerra a chamada, assustada.
Bianca: (amedrontada) Meu Deus… Que coisa horrorosa… Que homem terrível é esse…?
Bianca se senta numa cadeira, temerosa…
Cena 8. Vila dos Mares. Praia. Noite.
Rodolfo caminha pela areia da praia, bebendo uma garrafa de cachaça. Ele cambaleia, enquanto resmunga.
Rodolfo: (bêbado) Mulher é uma praga… Só presta pro homem comer e jogar fora… (bebe mais um pouco da cachaça) Tem que ser assim… Comer uma por dia e abandonar todas… Jogar todas na rua!
Quando de repente, ele tropeça em algo e bate a cabeça em uma pedra, desmaiando no mesmo instante. Percebe-se um corte profundo em sua testa, muito sangue. Em Rodolfo desacordado,
Cena 9. Salão de Eventos. Passarela. Noite.
As lindas modelos desfilando de biquíni pela passarela. Priscila e Marcelo assistindo.
Cena 10. Salão de Eventos. Corredor de camarins. Noite.
Luana caminha pelo corredor, atenta, olhando para os lados. Ela passa por uma porta entreaberta, onde escuta a voz de Talita e se aproxima para ouvir, cuidadosa.
Talita: (off) Me deu sede, mãe.
Kátia: (off) Eu vou lá pegar uma água pra você.
Talita: (off) Não demora.
Kátia abre a porta para sair. Luana, ágil, se esconde entrando na porta ao lado, antes que Kátia possa vê-la. Kátia segue o corredor. Luana sai do cômodo e faz menção para entrar no camarim em que Talita está.
Cena 11. Salão de Eventos. Camarim. Noite.
Talita na poltrona, de olhos fechados, massageando sua cabeça com enxaqueca. Sorrateira, Luana entra no camarim, fechando a porta em seguida. Ao abrir os olhos e olhar para frente, é com Luana que Talita se depara, entrando em estado de choque no mesmo instante.
Luana: (dissimulada) Oi. A gente pode conversar?
Talita arregala os olhos, incrédula, suas pupilas dilatam. O medo cresce em seu corpo e um estrondoso grito se desprende do fundo de sua garganta.
Talita: (grita) AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
O grito de Talita ecoa.
Cena 12. Salão de Eventos. Passarela. Noite.
A platéia aplaudindo. Todas as modelos, uma ao lado da outra, posando para as fotos. Marcelo e Priscila de mãos dadas no centro da passarela.
Marcelo: (microfone) E esse foi o nosso desfile. Fiquem agora com o coquetel e é claro: com o nosso DJ! Solta o som!
E o DJ solta a música Jump - Black Pink (tocando durante toda a cena)
As luzes de led coloridas são ligadas e o salão de eventos se transforma numa grande balada. Todos começam a dançar, no ritmo.
Corta para: Kátia no meio das pessoas procurando por um garçom.
Kátia: Nunca vi tanta dificuldade pra encontrar água num evento… Onde será que tem um garçom?
Ela volta a procurar.
Corta para: Na pista de dança, Mya e Rafael dançando, bem animados, enquanto bebem seus respectivos drinks e conversam.
Rafael: Ah, Mya… Você não tem vontade de arranjar nenhum namorado? Se quiser eu posso te dar uma ajudinha… Vai que…
Mya: Hum, só porque agora tá namorando com a Isabela, tá querendo pagar de cupido?
Rafael: Só tô querendo retribuir a ajuda que a minha irmãzinha me deu.
Mya: Mas acontece que eu sou um pouquinho diferente, Rafinha… Eu gosto mesmo é de sair, pegar um, dois, me divertir… Não tenho essa necessidade conservadora de ficar só com uma pessoa… Bom, quem sabe um dia eu amadureça… Mas no momento acho que eu me enquadro naquele grupo de pessoas que se chamam de… Não monogâmicos! (ri)
Rafael: (ergue o copo) Tá aí. Um brinde aos não monogâmicos!
Mya: Tim tim!
Os dois brindam, rindo e bebendo em seguida.
Corta para: Yara e Yago dançam coladinhos, se divertindo. Perto dali, Priscila e Marcelo brindam com espumante.
Priscila: Ao nosso sucesso!
Marcelo: Que entre a felicidade! E os lucros!
Eles riem e se beijam.
Cena 13. Salão de Eventos. Camarim. Noite.
Talita e Luana.
Talita: (atônita) Quem é você? De onde foi que você surgiu?
Luana: Calma… Se você me deixar explicar!
Talita: Some daqui! Você não existe! Você morreu! Volta pro inferno, me deixa em paz!
Luana: (debochada) Quê isso…
Luana vai se aproximando.
Talita: Não chega perto!
Talita pega algumas almofadas e vai atirando-as em Luana.
Luana: (defendendo-se) Quanta agressividade!
Talita: (grita) Sai daqui, Alice! Vai emboraaaaaaa! (Agoniada) Você tá morta, você é um espírito! Volta pras profundezas de onde você nunca devia ter saído!
Luana não se importa e vai se aproximar de Talita, que se esquiva.
Luana: (grita) Chega de show, garota! PARA! Cansei dos seus chiliques!
Talita encolhida, chorando, aterrorizada.
Luana: O meu nome não é Alice. O meu nome é Luana! Alice era o nome da minha irmã gêmea.
Talita: (surpresa) Irmã gêmea? Eu nunca soube que a irmã que a Alice tinha era uma irmã gêmea.
Luana: É, nós éramos gêmeas sim. Gêmeas idênticas. Iguais em tudo, exatamente tudo. Morei fora desde os dezessete anos, fazia intercâmbio em Nova York. Voltei assim que soube que você, com essas suas mãos imundas, matou friamente a minha irmã!
Talita: Eu não matei ela por querer! Você sabe disso/
Luana: Não sei de nada, cala a boca! Me escuta bem: O que você fez com ela vai ter volta! Não vai ficar barato não! Pode demorar o tempo que for, mas você vai pagar! Com juros e correção!
E Talita cresce, se levantando.
Talita: Olha aqui, cala a boca você! Eu não devo nada pra você, não devo nada pra ninguém! Esse caso já foi resolvido, a justiça já me absolveu. Você não é ninguém pra vir aqui tirar satisfações comigo! Você já acabou com a minha performance no desfile. Quer mais o quê?
Luana: Te ver lama talvez… Eu vou realizar a minha vingança!
Talita: (Farta) CHEGA! Se manda daqui, cara, por favor! Supera essa história, vai viver a sua vida e me deixa viver a minha! Me esquece, me deixa em paz!
Luana: Aceita! Eu não vou te deixar em paz!
Talita: Ah, você vai me deixar em paz!
Luana: Não vou.
Talita: Você vai! (Aqui ela explode) Você vai me deixar em paz sim! Nem que eu tenha que te matar, que nem eu fiz com a sua irmã!
E Luana esbofeteia Talita.
Talita: (desacreditada, com a mão na face) Você me deu um tapa?
Luana: Dei! E ainda te dou mais outro!
Luana levanta a mão para dar outro tapa, mas Talita é rápida e com muita força, puxa os cabelos de Luana, atirando-a no chão.
Talita: Você vai sumir da minha vida, nem que seja debaixo de muita porrada!
Talita sobe em cima de Luana, imobilizando seus braços, começando uma sequência de violentos tapas no rosto da mulher.
Talita: (batendo) Nunca mais aparece na minha frente!
Luana cria forças e consegue derrubar Talita. As duas se levantam e se enfrentam, uma tentando derrubar a outra.
Luana: Sua vaca, vagabunda! Eu vou te matar!
Marcelo, Priscila, Kátia e Yara entram no camarim, se deparando com toda aquela briga.
Yara: Meu Deus, o quê que é isso?
Priscila olha para Talita e percebe que há sangue escorrendo por suas pernas.
Priscila: (grita) TALITA, PARA! O BEBÊ!
Talita e Luana param de se enfrentar. Imediatamente, Talita passa a mão em sua virilha, percebendo o sangue. Ela olha para o sangue em sua mão, incrédula.
Talita: (chocada, desesperada) Não… Não pode ser… (grita, chora) NÃO, NÃO, NÃO!
E Luana gargalha, escandalosamente, debochando. No desespero da cena;
— Abertura —
Cena 14. Salão de Eventos. Camarim. Noite.
Mesmas posições da cena anterior. Desesperada, Priscila vai correndo até as duas, empurrando Luana, que cai na poltrona. Priscila abraça Talita, protegendo-a.
Priscila: (brava) Nunca mais toca na Talita, sua bruaca!
Luana: E você é uma burra, uma jumenta. Não sacou ainda que a sua amadinha tá dando o golpe mais antigo da humanidade em você e no seu maridinho? O tal do golpe da barriga! Burros! Tomara que essa demônia e esse girino que ela tá esperando arranquem toda a grana/
Marcelo: (corta) A única demônia que tem aqui é você! Parece mais que saiu de dentro de um filme de terror!
Kátia: Se a minha filha perder essa criança, eu juro que eu te mato!
Marcelo: Você invadiu o camarim pra perturbar uma mulher grávida! Eu vou chamar a polícia agora!
E quando Marcelo vai tirar o celular do bolso, Luana saca seu revólver, apontando para todos.
Luana: (apontando o revólver) Opa! Encosta nesse celular e morre todo mundo.
Marcelo paralisa. Priscila abraça Talita ainda mais forte. Kátia e Yara mega aflitas. Luana sempre sempre apontando a arma.
Kátia: Vai embora, menina, não faz nenhuma besteira. Você só vai complicar a sua vida desse jeito!
Luana: Foda-se! Eu não te perguntei nada. Cala a boca!
Luana destrava o revólver. Todos muito tensos.
Luana: Escutem bem: eu vou sair daqui e vocês vão ficar trancados! (Grita) Não é pra me seguir.
Marcelo vai se aproximar de Luana, mas ela dá um tiro pra cima, assustando-os.
Luana: Eu não tô brincando!
Luana vai até a porta, fazendo o revólver de escudo. Ela tira a chave da maçaneta, sai do camarim e fecha rapidamente a porta, trancando-a.
Cena 15. Salão de Eventos. Pista de dança. Noite.
Luana caminhando rapidamente em meio às pessoas dançando. Ela guarda discretamente o revólver dentro de sua bolsa de ombro e segue seu caminho.
Cena 16. Salão de Eventos. Estacionamento. Ext. Noite.
Luana sai do interior do salão e vai correndo na direção de um carro ali parado. O vidro se abre. É Heloísa no volante.
Heloísa: Entra logo!
Luana abre a porta do carona e entra.
Luana: Arranca! Deu ruim, mãe! Deu ruim!
O carro arranca em alta velocidade, cantando pneu.
Cena 17. Salão de Eventos. Camarim. Noite.
Mesmas posições da cena 15. Talita chorando, horrorizada, com as mãos no ventre.
Priscila: A gente precisa levar a Talita pro hospital imediatamente! Esse sangramento dela tá me preocupando muito!
Yara: Mas como? Aquela vagabunda trancou a gente aqui!
Talita: (chorando) Eu tô perdendo o meu bebê…
Priscila: PARA! Não fala isso!
Marcelo com o celular no ouvido, numa ligação mal-sucedida.
Marcelo: Tô tentando ligar pro Yago e pro Caio, mas eles não atendem. Celular não pega bem aqui.
Kátia: Marcelo, você consegue arrombar essa porta?
Marcelo: Boa! Vou fazer o possível pra conseguir, Kátia. É meu filho que está em jogo!
Marcelo se dirige até a frente da porta e começa a chutá-la e a esmurrar, com toda sua força.
Marcelo: (Chutando) Quebra, porra! Quebra!
Após muitos chutes, um pedaço da madeira se rompe.
Marcelo: Consegui!
Marcelo continua chutando a porta, até um pedaço mais considerável se quebrar.
Yara: Vou tentar ligar pra polícia!
Yara saca o celular e disca 190. Talita respirando fundo, sendo amparada por Priscila e por Kátia. Muita tensão.
Cena 18. Vila dos Mares. Rua. Noite.
Duas viaturas policiais, com suas sirenes estrondosas, percorrem a rua…
Cena 19. Pousada. Suíte. Noite.
Luana e Heloísa entram na suíte, agitadas.
Luana: Eu vou ter que me mandar pros Estados Unidos de novo e vai ter que ser amanhã. Deu tudo errado. Aquelas ratazanas não tinham nada que ter entrado no camarim antes de eu ter raptado a imunda!
Heloísa: BURRA! Você deu bandeira demais! Não era a sabe tudo, a dona da porra toda? Não! Você é uma incompetente!
Luana: Não fala assim comigo!
Luana explode e dá um tapa no rosto de Heloísa, que tonteia e quase cai.
Heloísa: (brava, incrédula) Você nunca mais levanta a mão pra mim!
E Heloísa retribui a bofetada em Luana.
Luana: QUE DROGA, QUE DROGA!
Heloísa: Droga mesmo!
As duas se sentam, cada uma em uma poltrona e respiram fundo, se recompondo.
Luana: O quê que eu faço agora?
Heloísa: Some por uns tempos, espera um pouco. Volta pra Nova York e fica por lá até a poeira abaixar… Durante um bom tempo a polícia vai ficar na cola dela dando proteção… Uns três meses e a gente já pode voltar com o nosso plano.
Luana olha pro além, misteriosa…
Luana: Ela vai ser queimada viva… Na fogueira da prosperidade… Com todos os membros da seita ao redor… (respira fundo) Hum… Eu já posso sentir o cheiro da fumaça, das cinzas… Da carne de piranha sendo queimada…
Heloísa: E o tal filho que ela tá esperando?
Luana: Vai junto. E antes mesmo de nascer…
Cena 19. Hospital. Sala de espera. Noite.
O médico conversando com Priscila, Marcelo, Kátia, Yara, Mya, Rafael e Yago.
Médico: Felizmente não houve a interrupção gestacional. O que houve com a paciente foi uma ameaça de aborto, muito provavelmente causado, pelo que vocês me relataram, pelo estresse obtido nas últimas horas.
Priscila respira aliviada.
Priscila: Ufa… Ainda bem que eles já estão sob controle…
Médico: E que mal pergunte… Já sabem qual o sexo do bebê?
Priscila: Nós preferimos esperar até o nascimento e ter a surpresa no dia… Apesar de que… Eu acho que é menina!
Cena 21. Hospital. Quarto. Noite.
Talita acamada, abatida. Kátia ao lado, de companhia.
Talita: Eu não devia ter me exposto desse jeito… Não devia… Pra quê eu fui inventar de querer investir nessa minha carreira de modelo? É claro que a família da Alice iria me encontrar uma hora ou outra… Agora a minha paz acabou, mãe!
Kátia: Para de se martirizar, filha. Não adianta mais! A polícia tá aí, fazendo a ronda. Amanhã você vai passar na delegacia e requerer a medida protetiva contra essa tal de Luana. Ela não vai mais te encher, tenho certeza.
Talita: E a senhora acha mesmo que ela vai respeitar uma medida protetiva?
Kátia: É, eu não acho… Eu só tava tentando te confortar.
Talita: Ai, meu Deus… Será que eu nunca vou ter paz?
Kátia segura nas mãos da filha.
Kátia: Eu te prometo, Tatá… A sua paz tá sim perto de chegar… (fecha os olhos) Eu posso sentir…
Um vento assopra o quarto. Kátia sente um calafrio.
Kátia: Nem que pra isso… O mal tenha que te atormenta tenha que desaparecer por inteiro…
Muito suspense. A imagem escurece.
Cena 22. Vila dos Mares. Stock Shots. Dia.
Imagem clareia. Belas imagens da cidade, das praias e pessoas marcam a passagem do tempo…
3 MESES DEPOIS…
Cena 23. Casa de Praia. Suíte. Banheiro. Dia.
Priscila terminando de se maquiar em frente ao espelho.
Priscila: Ai, Talita, depois do desfile as vendas lá na Visty aumentaram de uma forma tão significativa… Tive que contratar mais duas atendentes pra ajudarem a Aléxia.
Priscila dá uma última olhada e sai do banheiro.
Cena 24. Casa de Praia. Suíte. Dia.
Talita deitada na cama em uma posição confortável para sua enorme barriga. Priscila indo até ela.
Talita: Que saudade da Aléxia…
Priscila acaricia a barriga de Talita, carinhosa.
Priscila: E esse barrigão que não para de crescer?
Talita: Não falta muito e ele ou ela já vai tá por aí correndo por essa casa a fora…
Priscila sorri e dá um selinho em Talita. Em off, buzinas de carro, cortando o clima.
Priscila: O Marcelo e essa sua ansiedade… Tenho que ir, amor… Mas eu já volto.
Talita: Não demora.
Priscila: Fica tranquila, não demoro não!
Priscila dá outro selinho em Talita e sai do quarto. Talita fica por lá, olhando pro teto, reflexiva…
Cena 25. Casa de Praia. Jardim. Garagem. Dia.
Priscila sai do interior da casa e entra no carro em que Marcelo dirige. O veículo manobra, saindo da casa. Percebemos que por trás de uma árvore, alguém não identificado observava a movimentação da casa…
Cena 26. Casa de Praia. Cozinha. Dia.
Denise lavando a louça na pia da cozinha, distraída… Quando misteriosamente leva uma pancada na cabeça, desmaiando no mesmo instante. Close na torneira ligada, alagando a cuba…
Cena 27. Casa de Praia. Suite. Banheiro. Dia.
Talita em frente ao espelho, se observando em várias posições… De frente, de costas… Ela olha para si e respira fundo, segurando sua barriga.
Talita: Quem diria, hein, Talita… Grávida e quase parindo…
Ela sorri. E quando menos se espera, uma mão vestida de luvas tapa seu nariz e sua boca com um pano. Talita se debate, tentando fugir, mas é inútil. Ela acaba caindo, desfalecida.
Cena 28. Gramado. Dia.
Uma enorme área gramada. Um helicóptero pronto para decolar está por lá. Luana e Heloísa entram no veículo com a ajuda do piloto.
Luana: (ao piloto) E a garota?
Piloto: Amarrada e amordaçada como as senhoras pediram!
Heloísa: Perfeito.
Luana e Heloísa entram no helicóptero, se acomodando. O Piloto fecha a porta. As hélices se movimentam e o helicóptero sai do chão, levantando vôo.
Cena 29. Helicóptero. Dia.
Helicóptero já no ar. Talita entre Luana e Heloísa, desacordada, com as mãos e pés amarrados, além de uma fita colada em sua boca. Luana olha para ela, com sede de vingança no olhar.
Luana: Chegou o grande dia, Talita… É hoje que você vai pagar pelo que fez com a Alice… E de quebra ainda vai servir de oferenda pra nossa seita… Se prepara que é hoje!
No close de Talita desacordada,
Foco em Talita / A imagem congela em preto e branco e se despedaça.
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