Cena 1. Colégio Progredir. Diretoria. Dia.
Juliana e Stela. Juliana, assustadíssima, olha para trás certificando-se se não há mais ninguém na sala.
Juliana: (fala baixo, brava) Por acaso isso aqui é uma brincadeira? Como você conseguiu meu número? E que teatro é esse?
Stela: Eu tô tão surpresa quanto você...
Juliana: Ah, claro, você deve ser amiga da diretora... Meu Deus do céu, é um complô! Você sabia desde o princípio quem eu era e armou aquela palhaçada pra ferrar com a minha reputação... A troco de quê, hein?
Stela: Você é louca ou esquizofrênica? Que história descabida é essa que você acabou de inventar? Quer uma água?
Juliana passa a mão sobre os cabelos, tensa.
Juliana: (nervosa) Que armadilha foi essa, meu Deus...? Eu vou perder meu emprego... Eu tenho duas filhas e uma delas estuda aqui... Eu vou remover a matrícula dela agora! Como é que chama aquela mulher?
Stela: CHEGA!
Stela se levanta, vai até Juliana e dá um tapa no rosto dela, na tentativa de voltá-la para a realidade.
Stela: Isso é pra você cair em si! O mundo não gira ao seu redor não. Eu sou a diretora dessa escola! Stela Figueiredo. E o nosso reencontro aqui não passou de uma mera coincidência... Te conheci no hospital, tivemos um curto lance... Eu jamais tive a intenção de te prejudicar ou algo do tipo... Que motivos eu teria?
Juliana: (descabelada) Eu devo tá louca mesmo... Eu nunca me envolvi... Eu nunca me envolvi com uma mulher antes... Isso é loucura...
Juliana abre sua bolsa e tira uma pasta.
Juliana: Tá aqui o histórico da minha filha... (deixando a pasta na mesa)
Stela a observa, chocada.
Juliana: (confusa) Eu preciso ir... (respura fundo) Me desculpa...
Stela: Tem certeza que não quer uma água?
Juliana nem dá ouvidos e vai saindo pela porta. Stela ainda em choque.
Stela: (abismada) Gente... Que surto foi esse?
Cena 2. Belo Horizonte. Ruas do Centro. Dia.
Juliana anda pela rua, atordoada e pensativa. O som ambiente se abafa, ouve-se apenas os batimentos cardíacos de Juliana. Ela tromba com uma pessoa, mas nem se importa e continua seguindo, desnorteada...
Juliana: (confusa) O quê que tá acontecendo comigo...?
Ela coloca as mãos sobre os ouvidos e fecha os olhos...
Cena 3. Mansão de Sérgio Ferreira. Exterior. Dia.
A van estaciona bem na rampa da garagem da mansão. Kátia desce primeiro e respira fundo.
Kátia: Dai-me coragem, pai...
Ela vai até o portão e toca o interfone.
Voz: (off) Quem é?
Kátia: São as garotas!
Neste momento o portão se abre. Kátia volta pra van, que se dirige ao interior da mansão. Quando a van entra por completo, o portão se fecha.
Cena 4. Bordel. Escritório. Dia.
Kelly sentada na poltrona, apreensiva...
Kelly: Tomara que esteja ocorrendo tudo bem...
Ela olha em seu relógio de pulso.
Kelly: Agora é que deve estar acontecendo...
Cena 5. Mansão de Sérgio Ferreira. Sala. Interior. Dia.
As 9 meninas entram na mansão, em fila, sendo recepcionadas por Sérgio (65), que está de roupão, fumando um charuto e bebendo um copo de uísque.
Sérgio: Eita mulherada boa... Que belezura, hein...
Sérgio bate os olhos em Taís e logo se interessa.
Sérgio: (p/ Taís) Vem cá, gostosa.
Ele dá um tapa no bumbum de Taís.
Taís: (estranhando) Aii...
Sérgio: Eu quero você!
Ele segura Taís, pelo braço.
Sérgio: O restante das putinhas podem ir lá pra fora. Meus amigos estão esperando as senhoras... Tem alguns na sauna também! Se espalhem...
Elas seguem para o exterior da mansão.
Kátia: Bom, seu Sérgio, elas estão entregues.
Kátia vai saindo, quando Sérgio segura seu braço.
Sérgio: Epa, epa, epa. Você também vem comigo, lindona!
Kátia: Mas eu...
Sérgio: Eu te pago o quanto você quiser! Mas eu preciso de vocês duas na minha cama, comigo.
Kátia e Taís se olham.
Cena 6. Hospital. Sala de Viviane. Dia.
Viviane teclando no notebook. Batidas na porta.
Viviane: Entra.
Juliana entra, com uma cara de quem acabou de chorar...
Juliana: Oi, Vivi!
Viviane: Oi Juliana! Aconteceu alguma coisa, querida?
Juliana: Eu tô passando muito mal, não tô aguentando... Aquela dor de cabeça não passa...
Viviane: Oh meu Deus, coitada!
Juliana: Eu posso pedir despensa hoje do meu plantão? Eu prometo que amanhã eu fico até mais tarde. Mas hoje eu tô mega indisposta, não consigo mesmo...
Viviane: Vai, vai! Eu peço pra Talita pra cobrir você!
Juliana: Obrigada, de verdade.
Viviane: Melhoras, querida.
Juliana se retira da sala e fecha a porta.
Viviane: Rum... É cada desculpinha esfarrapada que esses proletariados arranjam pra cabular o serviço... (t) Mas eu tenho que fazer a linha boazinha. Só assim eu subo de cargo e atinjo a diretoria... Eles vão ver!
Ela ri para si.
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Cena 7. Mansão de Sérgio Ferreira. Área de lazer. Dia.
Diversos homens na faixa dos 50/60 anos conversando e sendo seduzidos pelas garotas de programa... A câmera caminha até a porta de uma sauna que está fechada. Um homem abre e entra. A câmera segue.
Cena 8. Mansão de Sérgio Ferreira. Sauna. Interior. Dia.
Na enorme sauna, todos estão nus e se relacionando, sem o menor pudor. Um homem beija os seios de uma das garotas, com muita vontade, e, do outro lado vê-se uma mão puxando os cabelos de outra garota, que geme fora de áudio... Dois senhores se beijam, Megan aparece, entrando no beijo dos dois, que beijam o pescoço, puxam os cabelos e passam a mão pelo corpo da garota...
Cena 9. Mansão. Suíte de Sérgio. Dia.
Kátia e Taís (as duas apenas de lingeries) frente a Sérgio, que tira seu roupão, ficando apenas de sunga.
Sérgio: Se beijem. Eu quero ver. Tenho maior tesão em ver duas gostosas se pegando...
Taís: (baixo) Amiga, isso morre aqui!
Kátia: (baixo) Com toda certeza!
Elas respiram fundo, se olham tensas e começam a se beijar. Detalhar a pegada das duas. Sérgio se deita na cama e começa a observar a cena, com um sorriso bem malicioso...
Cena 10. Casa de Juliana. Sala. Dia.
Juliana entra em casa, atordoada. Ela joga a bolsa no sofá e bufa, super estressada. Anne aparece na sala.
Anne: Que susto, mãe! Chegando agora...
Juliana: Eu precisei sair... Tô com um pouco de dor de cabeça. Vou me deitar.
Anne: Eu fiz um macarrã/
Juliana desaparece pelo corredor...
Anne: Ih... O que será que aconteceu?
Na preocupação de Anne;
Cena 11. Casa de Juliana. Qto de Juliana. Dia.
Juliana se deita em sua cama e olha pro teto, pensativa...
Juliana: Stela Figueiredo... Que mulher é essa, meu Deus...?
- Flashback on: (cena 5 cap. 3) -
Juliana sentada no vaso da cabine, Stela em seu colo, de frente para ela. Foco nas bocas se envolvendo...
- Flashback off. -
Juliana: O pior é que foi tão bom... (caindo em si) E eu fui uma estúpida com ela... Eu tava confusa, isso nunca havia me acontecido antes... Desconfiei dela, sendo que o nosso momento foi de pura entrega e verdade... Eu fui injusta e preciso desfazer isso!
Juliana pensa mais um pouco.
Juliana: Eu preciso forjar um encontro casual com ela. É isso... Mas como?
Cena 12. Colégio Progredir. Saída. Dia.
Stela atravessa o pátio e passa pela catraca.
Stela: (ao porteiro) Tchau, seu Zé!
Zé: Até, Dona Stela!
Ela caminha até seu carro, entra e arranca com ele.
Cena 13. Carro de Stela. Dia.
Stela dirigindo, pensativa.
Stela: Juliana Dumont... Então é esse o seu nome... Marrenta... Mas só de lembrar da gente junta, ai...
Stela ri.
Cena 14. Belo Horizonte. Takes do Anoitecer. Noite.
Ao som da música: Me gusta, Takes aéreos da cidade à noite. Último plano na fachada do Bordel Lovely's.
Cena 15. Bordel Lovely's. Gramado. Noite.
A van estaciona no gramado e as meninas saltam. Kátia e Taís descem por último.
Kátia: (rindo) Não tô acreditando até agora no que a gente fez.
Taís: Deixa baixo... (ri)
Kátia: Quem vai amar saber disso é a Kelly!
Elas entram no bordel, rindo.
Cena 16. Casa de Juliana. Sala. Dia.
Juliana e Anne no sofá, assitindo à TV.
Juliana: Cadê sua irmã que não chega? Já são 10:30 da noite!
Anne: Calma, mãe, você sabe como é o trânsito de Belo Horizonte. Jajá ela tá aí!
Juliana bufa, preocupada. Mas logo ela se ajeita no sofá, fecha os olhos e tira um cochilo...
Cena 17. Bordel Lovely's. Quarto. Noite
Kelly, Kátia e Taís sentadas na cama, de fuxico.
Kelly: (rindo/surpresa) Ah, não! Vocês duas?
Kátia: Mas pelo menos ele pagou bem!
Kelly: Então ele deu mais que o combinado?
Taís: É... Dois milzinho pra cada uma enloquecer o Daddy! Aquele ali tem...
Kelly: Que bom que pelo menos faturamos algo...
Taís: E Kelly, Kátia... Uma coisa que tá me estranhando... O sumiço do Raul! Vocês sabem dele?
Kelly e Kátia se olham sem saber o que responder...
Kátia: Ele... Eu acho que ele viajou...
Kelly: Não, Kátia! Melhor dizer a verdade. A Taís também sofre na mão do Raul e ela é de confiança.
Kátia: Então, Taís... Ele tá dopado! Nós dopamos ele e trancafiamos no depósito! A dose de remédio que nós demos foi alta, tanto que ainda nem acordou...
Kelly: Foi o único jeito da gente conseguir agir com destreza sem ter aquele encosto nos atrapalhando.
Taís solta um sorriso de satisfação.
Taís: (solta uma gargalhada) O Raul? Dopado? Mas que maravilha é essa?
Kely e Kátia sorriem.
Taís: Sorte a minha que não vou precisar dar comissão do meu trabalho pra aquele porco!
Kelly: Escutem o que eu tô dizendo: O Raul não vai durar muito tempo aqui nesse bordel. Me escutem!
Kátia: Amém!
As três sorriem entre si.
Cena 18. Bordel Lovely's. Frente. Gramado. Noite.
Kelly caminha até seu carro acompanhada de Kátia e Taís.
Kátia e Taís: Tchau, Kelly!
Kelly: Tchau, meninas! Até amanhã! Beijos!
Kelly aciona o alarme, abre a porta do carro, entra e segue em frente com ele.
Cena 19. Casa de Juliana. Sala. Noite.
Juliana cochilando no sofá. A TV ainda está ligada. Kelly abre a porta silenciosamente, entra em casa e tira os sapatos. Quando ela se vira para trás... Juliana está de pé em sua frente.
Juliana: (brava) Onde é que você tava até agora, Kelly? Que raio de emprego é esse que você sai mais de meia noite?
Kelly fica sem saber o que responder... Muita tensão.
Foco em Juliana/ A imagem congela com o fundo esfumaçado.


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