CAPÍTULO 25 (FIM)
Escrito por: Selma Dumont
Cena 1. Céu. Dia.
Helicóptero no ar, sobrevoando entre as nuvens.
Cena 2. Helicóptero. Dia.
Talita desacordada, amordaçada, entre Heloísa e Luana. Luana olha para a rival, com malícia.
Luana: Oferenda melhor não podia ter… A personificação da prosperidade… Bem aqui, à nossa disposição.
Heloísa também olha para Talita, com ódio. Close no pulso de Talita: o relógio smartwatch que a garota usa se acende e apaga rapidamente. Muito suspense…
Cena 3. Anexo de Yara. Sala. Dia.
Deitados no sofá da sala, Yara e Yago se beijam e se agarram intensamente, com muita pegada e mãos. Yara interrompe o beijo, “sem ar”.
Yara: (suspirando) Ui, tô tonta!
Yago: É assim que eu te deixo, né? Molinha, molinha…
Yago rouba outro beijo.
Yara: Larga de ser convencido, garoto! (Se rende) Mas até que deixa sim… (Muda de assunto) Tenho que passar agora lá na casa pra ver como tá a Talita. Se quiser vir comigo…
Yago: Vou pra onde você quiser! Cê já me fisgou!
Yara: Que bom! Gosto bem assim…
Os dois sorriem e piscam um para o outro, safados.
Cena 4. Casa de Praia. Cozinha. Dia.
Denise desmaiada no chão da cozinha. A torneira ligada.
Cena 5. Casa de Praia. Sala. Dia.
Yara e Yago entram, estranhando o clima.
Yago: Ué, a porta tava aberta. Que estranho…
Yara: Será que tem alguém em casa? Não vi movimento… (chama) Talita? Denise?
Yago: Vou na cozinha pegar uma água!
Yara: Eu vou ver se a minha afilhada tá no quarto.
Yago segue para a cozinha, Yara sobe as escadas.
Cena 6. Casa de Praia. Cozinha. Dia.
Yago entra na cozinha, distraído.
Yago: Ô Denise, tô entrando, vim pegar uma aguinha/
E ao olhar para frente, percebe Denise caída e desacordada.
Yago: (se desespera) Ai, meu Deus! Denise! (Grita) YARA, VEM AQUI!
Cena 7. Casa de Praia. Jardim/ Garagem. Dia.
Uma ambulância estacionada no exterior da casa. Os paramédicos descem, levando uma maca retrátil, e vão seguindo até o interior da casa. Instantes e o carro de Priscila e Marcelo adentra, parando ao lado da ambulância. Os dois saltam do veículo e vão correndo entrar em casa.
Cena 8. Casa de Praia. Sala. Dia.
Os paramédicos levando Denise, de maca, para o exterior da casa. Marcelo, Priscila, Yara e Yago por lá, aflitíssimos.
Yara: Já liguei pra irmã da Denise que vai encontrar com ela já no hospital.
Yago: A gente precisa saber é da Talita.
Priscila: (nervosa) Gente, como assim? Como assim a Talita não tá em casa? Ela sumiu do nada?
Marcelo: (atônito) Ela tá grávida de oito meses… A bolsa pode romper a qualquer momento… Onde é que ela foi se meter?
Yara: Eu não sei! Não tem nenhum sinal dela nessa casa. Já liguei e tudo… Eu tô com uma sensação muito estranha… Acho melhor vocês olharem nas câmeras e logo!
Priscila pega seu celular, já abrindo no aplicativo da câmera de segurança. Os quatro assistem, aterrorizados.
Priscila: (atordoada) Meu Deus, eu não acredito! Tamparam as câmeras! Colocaram um tecido preto em cima e não dá pra ver nada! (Começa a chorar) Ela só pode ter sido raptada!
Yara também chora.
Yara: (chora) Não pode ser!
Marcelo: (constatando, bravo) Foi aquela desgraçada! Só pode! Aquela vagabunda que invadiu o desfile pra irritar a Talita e ameaçou a gente com uma arma. Luana! Só pode ter sido ela que sequestrou a Talita!
Yago: Essa Luana não tinha uma medida protetiva contra a Talita?
Yara: Ainda tem, mas ela desrespeitou. Ordinária… Ela calculou direitinho… Esperou um tempo, até a segurança relaxar e voltou pra infernizar a minha menina!
Priscila: E a gente tá esperando o quê pra chamar a polícia?
Priscila vai discar o número da polícia, mas Marcelo segura sua mão.
Marcelo: Não! Polícia não! A gente precisa agir rápido. Eles podem se atrapalhar e a vida da Talita e do nosso filho pode ficar ainda mais em risco. Eu tive uma ideia!
Priscila: Que ideia?
Marcelo: Há algum tempo eu presenteei ela com um daqueles relógios smartwatch. Por sorte ela nunca desgruda dele… E nesse relógio tem um rastreador embutido, que eu consigo ver a localização pelo meu celular… Vamos torcer pra que a sequestradora não tenha se atentado a esse detalhe e que a Talita tenha levado o relógio com ela!
Marcelo imediatamente pega seu celular.
Priscila: E se a Luana tiver se atentado?
Marcelo: (mexendo no celular) Nesse caso não tem jeito! A gente chama a polícia!
Na inquietação de todos;
Cena 9. Hospital. Quarto. Dia.
Laura deitada na cama, suas pernas imóveis. Sua expressão é de extremo desalento. Bianca e um médico por lá.
Laura: Eu não sinto nada!
Laura perde o controle e estapeia suas pernas, num surto, muito irritada.
Laura: (grita, estapeando-se) Que droga, que droga!
Bianca, aos prantos, imediatamente vai contê-la, abraçando a amiga.
Laura: (confusa e angustiada) Por que é que eu não consigo sentir as minhas pernas? Eu só me sinto da barriga pra cima, pra baixo eu não sinto nada… Nada! (nervosa) Eu perdi os movimentos, é isso? Eu nunca mais vou andar? Me fala a verdade, doutor, o quê que aconteceu comigo?
Médico: Bem, dona Laura… O atropelamento que a senhora sofreu foi muito violento, o que ocasionou uma grave lesão na sua medula espinhal, de nível T9 a T11, isto é, causando a paralisia dos movimentos dos órgãos abaixo do umbigo…
Laura: (ansiosa) Eu vou voltar a andar? Só me diz isso! Eu vou voltar a andar?
Médico: Eu não posso te afirmar com certeza. A sua evolução vai depender dos tratamentos/
Laura: (interrompe, surtando) Eu tô paralítica pra sempre então? Eu tô aleijada? (Olha para Bianca) Bianca… Eu não vou andar nunca mais… Acabou a minha vida, minha carreira de modelo… (estapeia suas pernas) Eu não sinto mais nada… Nem transar eu vou poder mais!
Laura empurra um vaso de flores que estava na mesinha ao lado da cama, fazendo-o quebrar.
Bianca: Para! Não fala isso! A medicina tá muito avançada! Existe fisioterapia, mais um monte de tratamentos!
Médico: Escuta a sua amiga, Laura! A medicina está sim muito avançada e você tem recursos pra ter o melhor tratamento possível. Voltar a andar não é uma certeza, mas com a ajuda de todas as terapias e cuidados, você vai poder levar uma vida normal!
Bianca: Tem que ter esperança!
Laura: (chora, com raiva) Muito fácil falar de esperança quando você não tá aqui entrevada numa cama. Sem poder ver a vida acontecendo lá fora há mais de meses… Que merda! (T) Que merda! Garoto desgraçado! Pivete imbecil! Ele ferrou comigo… Por causa daquele assalto idiota, eu nunca mais vou poder modelar! (Desaba no choro, soluçando) Ele destruiu meu sonho… Eu tava no caminho certo pra me tornar uma grande modelo e instantaneamente tudo foi por água abaixo naquele dia infeliz…
Bianca: (emocionada) Lembra que eu tô aqui com você, Laurinha. Nunca vou te abandonar.
Bianca, enxuga as lágrimas de Laura.
Cena 10. Heliponto. Área Gramada. Noite.
Acaba de anoitecer. O Helicóptero pousa na enorme área gramada. A porta do veículo se abre: Heloísa e Luana descem primeiro, juntas. Logo em seguida, o piloto desce, carregando Talita.
Piloto: (mal se aguentando) Caramba, que mulher pesada!
Luana ao celular:
Luana: (cel) Meu mestre, acabei de pousar. Claro, trazendo o que eu tinha prometido pro senhor… (t) Dentro de alguns minutos nós estaremos aí. Prepare tudo!
Um carro vindo de uma estrada de terra, entra no gramado e vai até a região do helicóptero, parando à frente de Heloísa e Luana. Juarez desce.
Juarez: Vim assim que a senhora ligou!
Heloísa: Ajuda o piloto a colocar a garota dentro do carro.
Juarez abre a porta traseira do veículo. O piloto leva Talita até o carro e os dois a ajeitam no banco de trás, fechando a porta na sequência. Luana vai entregar um pacote para o piloto.
Luana: Seu pagamento!
O Piloto abre o pacote, pegando vários bolos de notas de cem.
Piloto: Fazer negócios com as senhoras é sempre um prazer! Qualquer outra ocorrência, já sabem! É só ligar!
Heloísa e Luana entram no banco de trás (de forma que Talita fique no meio delas) e Juarez no do motorista. O carro é ligado e parte.
Cena 11. Diamantina. Rua. Casa da Seita. Noite.
O carro de Juarez segue pela íngreme rua, até parar na frente da Casa da Seita. Ele dá duas buzinadas e rapidamente o portão da garagem se abre. O carro adentra na garagem.
Marcelo: (off) Em Diamantina!
Cena 12. Casa de Praia. Sala. Noite.
Priscila, Yara e Yago ficam surpresos com o que Marcelo acabara de dizer.
Priscila: (chocada) Ela tá em Diamantina? Mas como? Daqui até lá são muitas horas de viagem, não teria tido esse tempo…
Marcelo focado no celular, este aberto no aplicativo do GPS.
Marcelo: Mas é o que tá dizendo aqui!
Yara: Sendo assim, eu vou ligar agora mesmo pra Kátia! Ela tá perto, pode fazer alguma coisa!
Yara saca seu celular, disca o contato de Kátia e põe o aparelho no ouvido.
Marcelo: Já salvei o endereço, antes que cortem a conexão.
Imediatamente após dizer isso, a seguinte mensagem aparece na tela do celular: Dispositivo desconectado.
Marcelo: (nervoso) Filha da puta!
Cena 13. Casa da Seita. Interior. Noite.
Luana termina de pisar no relógio de Talita, destruindo-o.
Luana: Modelinho mais ridículo, cafona, fora de moda… Só podia ser coisa dessa meretriz mesmo…
Luana olha para o lado, vendo Talita amarrada em uma barra de ferro, no centro da casa. Ela ainda está desacordada, com uma expressão terrível de cansaço. Heloísa aparece ali, admirando Talita.
Heloísa: Tive que desmaiar ela mais umas três vezes… Ô garota pra acordar! Maior trabalho.
Luana: (olha no seu relógio de pulso) Falta pouco pra essa aí não ser mais um problema. Assim que os outros membros da seita chegarem, a gente começa o ritual e logo executamos ela.
Heloísa: Eu só vou voltar a ter paz nessa vida quando não existir nem mais um fio de cabelo dessa menina…
Cena 14. Vila dos Mares. Heliponto. Gramado. Noite.
Marcelo, Priscila, Yara e Yago entram num helicóptero com a ajuda do piloto Wagner.
Yago: (entrando) Ainda bem que tenho a sorte de ter um pai que é piloto de helicóptero.
Cena 15. Helicóptero. Noite.
Os quatro se acomodam nos bancos do helicóptero, enquanto Wagner fecha a porta.
Marcelo: Muito obrigado, Wagner. A gente nunca conseguiria chegar rápido em Diamantina usando um carro. Valeu por conseguir fretar esse helicóptero.
Wagner: O tempo está tranquilo pra vôo, Marcelo… E eu jamais negaria um pedido do meu filho, ainda mais se tratando de salvar alguém! Podem contar comigo. (T) Bom, apertem os cintos e coloquem os abafadores. Nós vamos decolar!
Todos colocam os abafadores de som em seus ouvidos. Priscila fecha os olhos, clamando, para si.
Priscila: Ô meu Deus… Protege nosso filho! Protege a Talita…
Ela fecha os olhos e lágrimas caem…
Cena 16. Vila dos Mares. Heliponto. Gramado. Noite.
As hélices giram e o helicóptero levanta vôo, desaparecendo entre as nuvens.
Cena 17. Fazenda Martins. Qto de Kátia. Noite.
Kátia, com o rosto vermelho de tanto chorar, abre seu armário, pega uma caixa e abre-a. Ela tira de lá um revólver e o segura.
Kátia: Nunca pensei que um dia na minha vida eu tivesse que usar isso… Mas pra salvar a minha filha… Eu mato e morro!
Ela pega sua bolsa na cama e guarda o revólver dentro.
Cena 18. Fazenda Martins. Exterior. Noite.
Kátia seguindo para sua caminhonete. Ela aperta o alarme.
Kátia: (p/si) Sorte que o Rafa e a Mya estão na casa da Isabela.
Ela entra na caminhonete e dá partida, cantando pneu.
Cena 19. Casa da Seita. Rua. Exterior. Noite.
Algumas pessoas entram na casa pela porta principal, provavelmente tratam-se de membros da seita. A câm se afasta e vemos que Kátia está atrás de uma árvore, observando toda a movimentação, atenta.
Cena 20. Casa de Giovanna. Sala. Noite.
Giovanna, Cecília, Rafael, Isabela e Mya sentados no chão da sala, jogando baralho e comendo pipoca.
Mya: Ai, gente, esse jogo tá muito monótono…
Cecília: Nossa, verdade! Cansei! (Joga as cartas)
Mya: Quê que vocês acham da gente jogar uma coisa mais agitada, com desafios…?
Todos reagem, concordando.
Giovanna: Eu aprendi um jogo de baralho ótimo na faculdade… Chama sueca! É bem nesse estilo.
Rafael: Hum… Sueca? Já gostei do nome…
Isabela: Mas pra jogar sueca precisa ter alguma bebida alcoólica pra cumprir os desafios e também pra dar um gás a mais no jogo… Quê que você tem aí, Gi?
Giovanna: Putz, vou ter que bancar a péssima universitária e dizer que eu não tenho nem meia dose de cachaça na dispensa…
Cecília: Nessa cê foi péssima mesmo, amor… (ri)
Giovanna: Era a Yasmim que cuidava dessa parte, até ela ser internada na reabilitação… (suspira) Mas se alguém quiser ir lá comprar rapidinho… Tem uma mercearia logo ali na rua de trás.
Isabela: Ih, eu tô fora.
Cecília: Também…
Giovanna: Somos três. Sobrou pra vocês dois, Mya e Rafa.
Rafael: Já que é assim… Eu não me importo. Eu vou.
Mya: Nem eu. Por mim tudo bem.
Rafael: Bora então, Mya.
Os dois se levantam.
Cena 21. Rua. Noite.
Mya e Rafael descem a rua, conversando, fora de áudio. Rafael olha atentamente para frente e percebe que Kátia está atrás de uma árvore, vendo a movimentação da casa da seita. Ele estranha.
Rafael: Mya… É a mamãe ali?
Mya olha mais a fundo e constata.
Mya: É ela sim! O quê será que ela tá fazendo?
Rafael: Só perguntando pra descobrir.
Os dois vão até Kátia, que está de costas. Mya toca o ombro da mãe, que se vira rapidamente, assustada.
Kátia: (assustada, ofegante) Quê isso? Quê que vocês dois tão fazendo aqui?
Rafael: A casa da Giovanna é na rua de trás, esqueceu? E nós é que perguntamos…
Mya: (completa) O que a senhora tá fazendo aqui?
Rafael: E o pior… A essa hora e nessa rua super deserta e escura…
Kátia: Já vi que não vai ter como fugir… É melhor mesmo que vocês saibam.
E quando Kátia vai falar,
Cena 22. Casa da Seita. Interior. Noite.
Alguns membros da seita já estão por ali. Talita na mesma posição, exposta no meio da casa, amarrada na barra de ferro. Ela começa a despertar, bem lentamente… Heloísa vê de longe e imediatamente vai tapar o nariz da garota com um lenço, o que a faz desmaiar novamente.
Corta para: Um homem engravatado (50) vai falar com Luana.
Homem: Então é essa a famosa Talita? A Alice falava tanto dela nas reuniões da seita… Finalmente posso ver seu rosto…
Luana: É ela sim! (Fala para todos que estão no ambiente) Pessoal, em pouco tempo veremos esse grande exemplar da prosperidade (aponta para Talita) queimando em brasa! Transmitindo para nós, assim, em forma de fumaça, toda essa qualidade tão cobiçada! Ao invés do tradicional açoite do bode, hoje teremos o açoite dela: Talita Bianchini!
Todos olham para Talita… A câm foca em uma janela da casa. Vê-se que Mya está observando tudo pelo vidro, muito discretamente. Reação de Mya, desesperada com o que vê.
Cena 23. Casa da Seita. Rua. Exterior. Noite.
Mya em cima dos ombros de Rafael, olhando pela janela. Kátia ali ao lado, aflita.
Cena 24. Área gramada. Noite.
O helicóptero vem voando e pousa em uma enorme área gramada. As portas se abrem e Marcelo, Priscila, Yara e Yago descem, todos apressados e ansiosos. Wagner ainda dentro do helicóptero:
Wagner: Tô aqui pro que vocês precisarem! Vou ficar aqui dentro do helicóptero à disposição.
Yago: Valeu, pai!
Marcelo: Obrigadão, Seu Wagner! Você quebrou o maior galho!
Priscila: Yara, cê pode ligar pra Kátia?
Yara: Agora!
Yara saca o celular, já discando.
Priscila: Enquanto isso, eu vou chamar um táxi.
Cena 24. Rua. Casa da Seita. Noite.
O táxi estaciona um pouco distante da casa da seita. Marcelo, Priscila, Yara e Yago descem do veículo, indo logo ao encontro de Kátia, Mya e Rafael. Os sete vão para um canto discreto da rua.
Kátia: (com lágrimas nos olhos) A Talita tá lá dentro daquela casa! A Mya conseguiu ver.
Mya: (marejando) Eu vi! A minha irmã tá no meio daquela casa horrorosa, amarrada numa barra de ferro… (amedrontada) Foi a coisa mais macabra que eu já vi na vida!
Kátia: Não sei se isso tá mais pra seita ou organização criminosa!
Yara: Talvez uma mistura dos dois!
Priscila: Gente, não dá mais pra esperar! Vamos chamar a polícia! Vamos desmontar esse esquema logo! Eles podem matar Talita e o nosso filho a qualquer momento!
Yara: A Pri tá certa. A polícia dessa cidade pode até ser vendida, mas a gente não tem outra opção.
Marcelo: Até temos…
Marcelo levanta sua blusa e tira um revólver de seu bolso, mostrando para todos, que se espantam.
Kátia: Eu também me precavi!
Kátia saca a arma de dentro de sua bolsa, para a surpresa geral.
Yago: É, munidos nós estamos.
Rafael: Gente, vou olhar mais uma vez pela janela pra ver como tá o movimento lá dentro!
Kátia: (aflita) Cuidado, filho! Não deixa ninguém te ver!
Sorrateiro, Rafael vai andando até a casa da seita. Ele olha ao redor, não vê ninguém, sobe em um degrau e se pendura para observar pela janela.
Corta para: Priscila ao celular:
Priscila: Alô, é da polícia? (T) Estão mantendo uma menina refém aqui dentro de uma casa…
Corta para: Rafael observando pela janela.
Cena 25. Casa da Seita. Interior. Noite.
Todos os membros da seita espalhados pela casa (Luana e Heloísa não). O mestre, um homem de vestimentas pretas, capa e chapéu, adentra o ambiente.
Homem: Chegou o grande momento.
Todos voltam sua atenção para o homem.
Homem: Faremos a roda em torno da garota escolhida.
Os membros fazem um círculo ao redor de Talita. Neste momento, a iluminação do local torna-se preta e avermelhada. Lentamente, Talita começa a abrir os olhos, confusa, com a visão muito turva… Ela tenta se mexer, mas percebe que está presa na barra.
Homem: Que entrem as precursoras!
Luana e Heloísa entram. Luana segurando uma vela acesa e Heloísa uma pequena garrafa. As duas entram no centro da roda. Os membros fecham os olhos.
Luana: Bem vindos ao açoite assistido da assassina da minha ilustre irmã, Alice…
Heloísa começa a despejar o líquido da garrafa ao redor de Talita… Os membros levantam e abaixam os braços, em sinal de saudação. Luana olha para o fogo da vela que segura, na expectativa…
E quando menos se espera, a porta da casa é arrombada. Espanto geral. Entram: Kátia e Marcelo, de revólveres em punho e Priscila, Yara, Mya, Rafael e Yago, munidos de garrafas de vidro e facas.
Marcelo: (apontando o revólver, bravo) Vamo acabar com essa palhaçada agora! Solta a menina! A polícia já tá chegando!
Kátia: (apontando o revólver) Ninguém toca nem mais um dedo na minha filha!
Luana: (debochada) Não?
Sem pensar duas vezes, Luana deixa a vela cair bem em cima do líquido que Heloísa havia jogado ao redor de Talita. Forma-se uma chama no entorno dela. Talita neste momento, toma consciência, e fica desnorteada ao ver aquele fogo quase cobrindo-a.
Talita: (grita, desesperada) Socorroooooo! Alguém me ajudaaaaaaa!
Desespero de Kátia, Marcelo, Priscila, Yara, Yago, Mya e Rafael.
Kátia: (grita, p/ Luana) Sua desgraçadaaaaa!
Kátia dispara um tiro, que atinge o vidro da janela. Os sete salvadores de Talita tentam ir até a garota, mas são impedidos pelos membros. Começa-se, neste momento, uma batalha física entre o bem e o mal, todos lutando e agredindo uns aos outros.
Rafael empurra um homem no chão. Após isso, olha pro lado e vê uma jarra de água em uma mesa no canto da casa, indo correndo pegá-la.
Mya quebra uma garrafa de vidro na cabeça de uma mulher, que cai desmaiada.
Rafael: Mya, me ajuda!
Rafael joga toda a água da jarra em cima do fogo que rodeava Talita. O fogo diminui, mas não se apaga totalmente. Mya pega uma faca e começa a serrar as cordas que amarravam a irmã. Luana vê aquilo e vai indo até eles. Talita já está livre das cordas, mas sua barriga pesa.
Rafael: Talita, foge!
Rafael ajuda Talita a caminhar até a janela. Luana pega uma faca no chão e vai atrás deles, mas logo é surpreendida por um puxão de cabelo. Priscila, com toda sua força e fúria, puxa os cabelos de Luana.
Priscila: Onde cê pensa que vai, sua filha da puta?
Luana: AIII! Me larga!
Rafael abre a janela e ajuda Talita a pular.
Rafael: Corre, Talita!
Corta para: Marcelo, Yago, Yara e Kátia, lutando fortemente com os membros.
Marcelo dá três socos no rosto de um homem, que cai no chão desacordado.
Kátia e Heloísa puxam os cabelos uma da outra. Kátia chuta o joelho de Heloísa, que cai no chão, sentindo a dor.
Cena 26. Céu. Noite.
Um relâmpago risca no céu nublado.
Cena 27. Diamantina. Rua. Beco. Noite.
Chove medianamente. Toda molhada, Talita corre pelas ruas de cascalho, segurando sua barriga, com dificuldade. Ela entra num beco estreito e por lá caminha, ofegante. Instantes e ela sente uma forte dor no ventre, que a faz cair, ajoelhada.
Talita: (cansada, tensa) Ai, Deus… A bolsa… A bolsa deve ter estourado!
Talita vai se arrastando até uma marquise próxima e se senta no meio fio, sentindo as dores e contrações do parto…
Talita: (com muita dor) Ai… Ai… Aguenta mais um pouco, meu filho… Aguenta aí!
Ela segura sua barriga e respira fundo, freneticamente…
Cena 28. Casa da Seita. Interior. Noite.
Confusão intensa. Priscila puxando os cabelos de Luana, que segura uma faca.
Luana: (grita) Solta meu cabelo, sua piranha!
Heloísa se aproxima das duas, ficando atrás de Priscila. Luana se vira para Priscila, na intenção de esfaqueá-la. Priscila é ágil, desvia da faca e Luana acaba golpeando acidentalmente Heloísa, bem no peito.
Luana: MAAAAAAÃE!
Em câm lenta, Heloísa cai no chão, em estado de choque, se esvaindo em sangue. Luana, com a faca suja de sangue em suas mãos, se ajoelha ao lado da mãe.
Luana: (chora, desesperada) Não! Não pode ser! O que foi que eu fiz?
Heloísa: (faz força para falar) Tá doendo muito… Filha… Eu te amo…
Heloísa suspira e fecha os olhos, morta.
Luana: NAAAAAAAÃO!
Luana, chorando transtornada, sacode o corpo de Heloísa. Ela acaba se manchando toda de sangue.
Luana: (berra) Acorda, mãe! Acorda! Volta pra mim! Eu não acredito nisso! Olha o que essa desgraçada me fez fazer!
Marcelo vai correndo abraçar Priscila, que está chocada com o que acabara de passar.
Marcelo: (abraçando-a) Meu amor!
Priscila: (tremendo) Ela ia me matar…
Marcelo: Calma, calma!
Marcelo beija a cabeça de Priscila, acalentando-a.
Cena 29. Rua. Casa da Seita. Noite.
Duas viaturas policiais, com as sirenes ligadas, estacionam bem na porta da casa da seita. Os policiais descem e vão entrando na casa.
Cena 30. Casa da Seita. Interior. Noite.
Os membros da seita sendo algemados e levados para fora pelos policiais. Um policial algema Luana, que se debate, não aceitando.
Luana: Me largaaa, seu merdinha! Eu sou Luana Vieira Paes, filha de Fernando Paes. Ninguém pode me prender! Meu pai manda e desmanda nessa cidade!
Policial: Você foi presa em flagrante! Acabou de matar a sua mãe, garota! Além de sequestro, formação de quadrilha e tortura. Tá bem encrencada. Acho que dessa vez não vai ter papai pra você se escorar não! Bora, bora!
O Policial vai empurrando-a para o exterior da casa.
Corta para: Kátia, Marcelo, Priscila, Yara, Yago, Mya e Rafael ali agoniados.
Kátia: (desesperada) E a minha filha? Onde é que ela tá?
Cena 31. Diamantina. Beco. Noite.
Chuva forte. Talita, deitada no chão, embaixo da marquise. As dores do parto cada vez mais fortes, falta pouco para o bebê nascer.
Talita: Ai… Eu não vou aguentar… Essa criança vai nascer aqui mesmo!
Ela faz muita força. Dor intensa.
Talita: AHHHHHHHH!
Instantes e escuta-se o choro de um recém nascido… Talita suspira e se deixa cair. Ela pega a criança, sujinha de sangue e ligada pelo cordão umbilical e a segura, olhando para ela, sorridente e emocionada…
Talita: É uma menina… Uma menina…
A criança chora. Na figura do recém nascido,
— Abertura —
Cena 32. Diamantina. Dia.
Stock shots da cidade ao som do instrumental da música Lisboa - ANAVITORIA, Lenine (até o fim da cena 33)
ALGUM TEMPO DEPOIS…
Cena 33. Fazenda Martins. Sala. Dia.
Priscila no sofá, segurando a linda Maria Tereza (com cerca de dois meses) em seu colo. Kátia e Yara estão na mesa, bebendo uma cervejinha. Kátia repara em sua neta.
Kátia: Gente, a Maria Tereza tá crescendo tão rápido, né? Parece que foi ontem que ela nasceu…
Yara: E eu amei esse nome que vocês deram. Maria Tereza. É bonito, imponente...
Priscila: A gente tava bastante em dúvida com que nome colocar nela. Daí a gente decidiu juntar os nomes das nossas três avós.
Kátia: Por sorte a sua avó e a da Talita se chamavam Maria.
Priscila: (ri) Pois é!
Marcelo, vindo do corredor, se senta no sofá junto a Priscila e a filha.
Marcelo: E lá se vão mais de dois meses, desde aquele fatídico dia…
Yara: A Tetê lutou muito pra vir ao mundo… Nem tinha nascido, mas já tinha passado por tanta coisa…
Kátia: Mas ainda bem que passou, é passado. Daqui pra frente é só alegria!
Marcelo: Deus te ouça, minha sogra.
Priscila: E minha intuição sempre esteve certa! Era uma menininha. A menininha mais linda que eu já vi!
Priscila beija o rosto de Maria Tereza, que esboça um sorrisinho. Talita aparece na sala, passando um batom, já de saída.
Kátia: Vai aonde, minha filha?
Talita: Eu prometi ir visitar a Yasmim lá na clínica de reabilitação. A situação dela tá bem triste. Tenho que dar uma força.
Kátia: Nossa… Manda um abraço pra ela.
Talita: Pode deixar! A Giovanna tá me esperando lá fora pra gente ir juntas.
Ouve-se uma buzina de carro.
Talita: Ih, é ela! Só vou dar um beijo na minha filhota!
Talita dá um beijinho na testa de Maria Tereza.
Talita: (p/ a filha) A mamãe já volta, meu amor. (P/ todos) Já volto, gente!
Talita abre a porta e sai. Instantes e Yago e Wagner entram pela porta.
Yago: Fui buscar o meu pai.
Wagner: Com licença, tô entrando…
Yara: Ah, Kátia. Ele você não conhece… É o Wagner, pai do Yago.
Yago: E essa é a Kátia, pai. Mãe da Talita.
Yara: E uma das minhas melhores amigas, também!
Kátia: Você ajudou demais. Muito prazer, Wagner!
Wagner: O prazer é todo meu.
Os dois sorriem e se olham, com nítido interesse.
Cena 34. Clínica de Reabilitação. Pátio. Dia.
Talita e Yasmim, num apertado e emocionante abraço… Giovanna ao lado, emocionada.
Talita: (marejando) Ô minha amiga… Não fica assim!
As duas se soltam e dão as mãos.
Yasmim: (chorando) Cê me perdoa mesmo?
Talita: Esquece isso, amiga… Isso não tem mais nenhuma importância.
Yasmim: Eu te traí! Traí sua confiança. Me vendi pro Rodolfo… Entreguei onde você estava… Te prejudiquei pra sustentar esse meu vício horroroso… (aqui ela desaba)
Talita: Para, para! Para de se torturar. Você tá se tratando, daqui a pouco vai se curar. E depois esse passado vai ser tão distante, tão distante… Que você nem vai se lembrar…
Yasmim: Eu só quero que você me perdoe… Diz que me perdoa!
Talita: Te perdôo sim! É claro!
Yasmim sorri, em seguida olha para Giovanna.
Yasmim: E você me perdoa também, Giovanna? Pelas situações que eu te coloquei, te dando tanto trabalho, preocupação…
Giovanna: É lógico, amiga… Amizade não é só pras horas boas não… Nas horas difíceis nós também estamos lá, pra dar suporte, apoio…
As lágrimas de emoção não param de escorrer dos olhos de Yasmim.
Yasmim: Eu amo vocês! Vocês duas são as melhores amigas que a vida podia me dar!
Talita: Conta com a gente! Sempre.
Giovanna: Acho que isso merece um abraço!
As três se juntam e se abraçam, muito fraternas e emocionadas…
Talita: (chorosa) Juro que eu vou fazer uma festa quando você sair daqui!
As três riem, ainda chorosas, e continuam abraçadas…
Cena 35. Fazenda Martins. Lago. Dia.
Kátia e Yara, ambas de biquíni, entram no lago, relaxadas. As duas bebendo um copinho de cerveja.
Kátia: Bonitão aquele seu sogro, hein…
Yara: Gostou, menina? Pega pra você. Um bonitão desses e ainda divorciado… Não dura muito tempo na pista não…
Kátia: Será que eu invisto?
Yara: É óbvio! Tá com medo de viver, é?
Kátia: Você tá certa. Quando ele voltar, eu vou dar umas indiretas, pra ver se ele pesca!
Yara: Isso! Eu te ajudo! (T) Ah, mas ainda bem que foi todo mundo passear no Mercado Municipal… Assim a gente fica à sós pra botar o papo em dia.
Kátia: Tava com saudade dos nossos papos, das nossas cervejas…
As duas brindam, bebendo em seguida.
Kátia: Tenho muito o que te agradecer por tudo que você fez pela Talita… Você fez o papel de mãe dela, enquanto eu faltei…
Yara: Não tem que agradecer, minha amiga… E o que você fez por mim no passado? Você foi a única que me acolheu depois que eu matei aquele homem que quase abusou de mim…
Kátia: Fiz o que era certo. Você era minha melhor amiga e sua família tinha te expulsado de casa com vergonha do escândalo… Era meu dever te acolher. Sem moralismo idiota!
Yara: É… Eu e a Talita temos histórias parecidas… Tirando a parte da família, claro… Eu entendi muito bem o que ela passou…
Kátia: Que bom que agora você consegue falar sobre isso…
Yara: Mas ainda é muito difícil… Um trauma! Nem o Yago sabe… E prefiro que não saiba… É uma parte do meu passado que eu quero deixar bem enterrada. Prefiro assim, que só você saiba.
Kátia: É como você preferir!
As duas dão as mãos…
Cena 36. Diamantina. Noite.
Anoitece na cidade.
Cena 37. Ap dos Vieira Paes. Sala. Noite.
Fernando caminha pela sala do apartamento, olhando cada detalhe e passando a mão pelos móveis. Sua expressão é de extrema tristeza e angústia. Sua mão toca um porta retrato em que está uma foto dele, Heloísa, Alice e Luana, num dia feliz. Fernando olha para a foto e lágrimas escorrem de seus olhos… Ele rapidamente abaixa o porta retrato. Instantes e a campainha toca. Ele enxuga as lágrimas e vai atender a porta. É o advogado Bernardo.
Fernando: (com a voz embargada) Doutor Bernardo. Entre por favor.
Bernardo entra.
Bernardo: Doutor Fernando, com licença.
Fernando: (desanimado) Quais são as notícias…?
Bernardo: Infelizmente não são boas… A Luana já foi transferida pro manicômio judiciário. O juiz entendeu que ela não está em pleno domínio de suas faculdades mentais e agora vai cumprir o regime de medida de segurança. O senhor ainda pode recorrer em segunda instância, mas pela situação crítica da Luana… Acho difícil algum desembargador dar provimento…
Fernando passa as mãos pelos cabelos.
Fernando: É claro que a Luana não vai sair dessa… Não vai! Ela assassinou a própria mãe… Era membro de uma seita satânica ou organização criminosa, sei lá… A minha filha fez tantas coisas horríveis… Como uma menina que tinha tudo nas mãos foi se meter nesse caminho? (Suspira) Às vezes eu penso que eu tô dentro de um pesadelo e que a qualquer momento eu vou acordar e encontrar tudo como era antes… A minha família… Unida aqui de novo…
Ele não se segura e cai num profundo e copioso choro… Bernardo o olha, penalizado…
Cena 38. Manicômio Judiciário. Noite.
Local de clima pesado. Luana (aparência acabada, cabelos bagunçados) deitada, olhando pro teto… Uma de suas mãos está algemada na grade da cama. Ela se sacode, tentando se soltar.
Luana: Que merda… Não era pra ter acabado assim…
Ela aperta suas mãos e range os dentes, com muito ódio.
Luana: (nervosa) Maldição… Maldita seita, maldita Talita… Eu perdi minha mãe, perdi tudo…
Lágrimas de ódio escapam de seus olhos.
Luana: Mas eu vou me vingar… Eu vou sair desse inferno e vou me vingar de tudo e de todos que contribuíram pra que eu viesse parar aqui… Eu vou! Ah, eu vou!
Muito suspense. No olhar odioso de Luana,
Cena 39. Vila dos Mares. Noite.
Noite em Vila dos Mares.
Cena 40. Casa de Bianca e Laura. Quarto de Laura. Noite.
Laura em sua cama, dormindo profundamente… Bianca e uma cuidadora apagam a luz e saem do quarto.
Cena 41. Casa de Bianca e Laura. Sala. Noite.
Bianca, arrumada e pronta para sair, conversa com a Cuidadora:
Bianca: Coitadinha da Laura… Hoje foi pesada a fisioterapia.
Cuidadora: Mas me parece que ela está evoluindo bem…
Bianca: Ela se esforça. Bom, Dirce, eu vou dar uma saidinha agora, espairecer um pouco, tomar umas… Também sou filha de Deus, né?
Cuidadora: (acha graça) Tá certa.
Bianca: Então você pode ficar tomando conta da Laura por mim, por essa noite?
Cuidadora: Claro, dona Bianca. Pode se divertir tranquila. Eu tô aqui pro que ela precisar!
Bianca: Obrigadíssimo, Dirce! Deixa eu ir! Marquei com um boy.
A Cuidadora ri. Bianca pega sua bolsa de ombro no sofá e segue até a porta de saída.
Cena 42. Bar/Balada. Pista de Dança. Noite.
Vários casais dançando um forró na pista. Entre eles, vemos Bianca e seu novo affair (um homem bonito, cerca de 35 anos). Eles dançam. Ele gira Bianca. Os dois se divertem e riem, em seguida se beijam. Inesperadamente, Rodolfo aparece e se põe no meio dos dois, agressivo e aparentemente bêbado.
Homem: Cê tá maluco, mermão?
Rodolfo: Não sou teu irmão! Fica na tua, playboy! (P/ Bianca) Vambora daqui! A gente tem muito o que conversar!
Bianca: Quê que você tá fazendo aqui, caramba? Me deixa em paz! A gente não tem nada pra conversar não!
Rodolfo: Então quer dizer que você usa e abusa de mim, a gente transa pra caralho e depois você some e me descarta? Assim, sem mais nem menos?
Bianca: CALA A BOCA! Olha o jeito que você fala.
Homem: Você respeita ela, tá ligado?
Rodolfo: Já falei pra não se meter!
Bianca: Você não entendeu que gente já não tem mais nada há mais de três meses?! Desde que eu descobri que você era um babaca! Um machista nojento e controlador! Tá fazendo comigo o mesmo que fez com a Talita. Enchendo o meu saco por causa de ego ferido! Agora vaza daqui e me deixa em paz!
Rodolfo: (agressivo) A gente vai conversar/
Rodolfo segura o braço dela, fortemente. O homem se irrita com a atitude.
Homem: Não encosta nela!
O Homem desfere um soco no rosto de Rodolfo, que cai no chão. Os frequentadores do bar começam a observar, chocados. Rodolfo se levanta rapidamente e parte pra cima do homem, revidando o soco. Bianca se desespera.
Bianca: (grita, aflita) Parem com isso!
Rodolfo e Homem se engalfinham, trocando socos e chutes. Alguns clientes se afastam, com medo. Rodolfo empurra o Homem em uma mesa de madeira, que se quebra. Ele logo se levanta e vai, com sangue nos olhos, partir pra cima de Rodolfo. Os dois voltam a se engalfinhar, caem no chão e rolam. Mas logo se levantam e vão indo em direção à rua. Bianca, chorando e desnorteada, corre atrás.
Bianca: (chorando) Não tô acreditando que isso tá acontecendo.
Cena 43. Bar/Balada. Rua. Exterior. Noite.
Rodolfo e o Homem saem do bar, se atracando.
Rodolfo: (lutando) Vagabundo, desgraçado!
Homem: (lutando) Vou te matar, seu otário!
Bianca: (grita) PARA, POR FAVOR!
O Homem dá um chute na barriga de Rodolfo, que vai parar no asfalto. No mesmo instante, um carro em alta velocidade passa e atropela brutalmente Rodolfo.
Bianca: AHHHHHHH!
Rodolfo cai no chão, morto. Muito sangue em todo o corpo… A câm foca em seu rosto. O áudio da cena se abafa e a imagem escurece aos poucos…
Cena 44. Diamantina. Dia.
Imagem clareia. Takes da cidade ao som da música: Proíbida pra mim - Zeca Baleiro (até o fim da cena 49)
Cena 45. Diamantina. Largo Dom João. Dia.
(Cena fora de áudio) Um evento ocorre no local, muita gente. Kátia e Wagner caminham, lado a lado, muito próximos, enquanto conversam e riem… Em determinado momento, as mãos dos dois se tocam. Wagner toma a iniciativa e segura a mão de Kátia, que sorri. Os dois se olham, tocam seus rostos e um beijo, delicado, acontece entre os dois. De longe, nada menos que Antônio vê tudo, baixando os olhos e virando as costas, desanimado…
Cena 46. Clínica de Reabilitação. Portão. Rua. Dia.
Yasmim, ao lado da mãe e de Felipe, sai da clínica de reabilitação. Ela respira fundo, emocionada e dá um selinho em Felipe. Mara olha, chorosa e orgulhosa…
Cena 47. Casa de Cecília. Corredor. Quartos de Cecília/Isabela. Dia.
A câmera vagueia pelo corredor da casa, entrando no quarto de Cecília: Lá, Cecília e Giovanna estão deitadas na cama, enquanto trocam carícias e beijinhos…
Giovanna: Eu te amo! Cê foi a melhor coisa que me aconteceu.
Cecília: Também te amo, minha linda! Isso aqui que a gente tem é raro!
As duas se olham, sorriem e voltam a se beijar, calorosamente… As coisas esquentam e as duas tiram suas blusas, ficando apenas de sutiã. A câmera se afasta e volta para o corredor. Cecília se levanta da cama e vai correndo fechar a porta de seu quarto.
A câmera agora entra no quarto ao lado, onde estão Rafael e Isabela. Os dois sentados na cama, vendo vários mangás. Rafael rouba um beijinho de Isabela.
Rafael: É tão bom ter uma namorada que curte as mesmas coisas que você…
Isabela: Cê deu sorte de ter me encontrado…
Rafael: Convencida… Mas eu gosto!
Isabela: (sensual) Me flechou direitinho… E agora não me perde mais!
Rafael: (chegando mais perto dela) Ah é?
Isabela: É!
E os dois se beijam, com muita vontade…
Imagem escurece.
Cena 48. Balada. Noite.
Imagem clareia. Balada movimentada. Mya, com um grupo de amigos. Ela bebe uma taça de drink, enquanto dança, animadíssima. Corta para: Ela beija um garoto. Em seguida beija outro garoto. Depois beija uma garota. Após, Mya dança com seus amigos e se diverte, rindo. Close nela.
Imagem escurece.
Cena 49. Praia. Dia.
Imagem clareia. Na areia da praia, Yara e Yago se beijam, deitam e rolam. Os dois em seguida se olham, apaixonados…
Imagem escurece.
TEMPOS DEPOIS…
Cena 50. Shopping. Visty Boutique. Dia.
É a inauguração da nova Visty Boutique em um grande shopping. Priscila e Marcelo, juntos, cortam a fita da entrada, muito contentes.
Corta para: Diversos clientes observam as peças das araras, enquanto se deliciam com uma taça de champanhe. Marcelo e Priscila vêem o movimento da loja, orgulhosos.
Marcelo: Que sucesso hein, amor?
Priscila: Tô nas nuvens… Abrir essa filial nesse shopping foi um acerto imenso. Certeza que os lucros vão triplicar.
Marcelo: (ri) Sempre pensando nos lucros…
Priscila: Claro! Esqueceu que agora nós temos uma filha pra criar? Uma herdeirinha? Todo luxo é pouco.
Talita, acompanhada de Denise, que segura Maria Tereza no colo, se aproximam deles.
Talita: Só se fala dessa inauguração no shopping inteiro.
Marcelo: Fala sério, a gente não arrasou na recepção?
Talita: Claro! (T) E… Não querendo cortar o clima, mas… Eu tenho um assunto pra tratar com vocês dois… E é sério.
Priscila: (se preocupa) Que assunto?
Cena 51. Casa de Praia. Sala. Noite.
Talita, Priscila e Marcelo.
Marcelo: Você foi convidada pra desfilar na França?
Talita: Pois é… O agente de moda me ligou hoje, disse que eu tenho uma semana pra dizer se aceito ou não. Vão ser cinco meses morando por lá…
Marcelo: E você…?
Talita: Eu não sei. Tô indecisa. Eu tenho a Maria Tereza, que ainda é uma bebê, tenho vocês… Mas também uma proposta de desfilar no exterior não acontece todo dia… Eu realmente não sei o que fazer…
Priscila se aproxima de Talita.
Priscila: O quê o que o seu coração tá pedindo? Escuta ele e me diz você.
Talita passa as mãos pelos cabelos.
Talita: Pode parecer egoísta da minha parte… Mas o meu coração me pede pra ir pra França. É uma oportunidade única, uma campanha grande… Eu não posso deixar passar.
Marcelo: Se essa é a sua vontade, Talita, nós vamos te apoiar sim!
Priscila: Se você acha que tem que viver isso, vai fundo!
Lágrimas escorrem dos olhos de Talita.
Talita: (emocionada) Vocês prometem que vão me esperar e que vão cuidar muito bem da minha, quer dizer, da nossa filha?
Marcelo: É claro!
Priscila: Não tenha dúvidas!
Talita: (chora) Não deixa nunca que ela fique desamparada... Nunca mesmo!
E os três se abraçam, emocionados… Imagem escurece.
Cena 52. Paris. Dia.
Imagem clareia. Takes da cidade de Paris e da Torre Eiffel.
Cena 53. Desfile de Moda. Passarela. Noite.
As luzes se acendem. Uma sofisticadíssima passarela se revela. Na platéia, os convidados do desfile, ansiosíssimos.
A cortina se abre, e, abrindo o desfile, Talita vem desfilando lindamente, de biquíni. A plateia a assiste. Os flashs não param.
Cena 54. Fazenda Martins. Sala. Noite.
Kátia, Wagner, Priscila, Marcelo, Yara, Yago, Mya, Rafael, Isabela, Giovanna, Cecília, Yasmim, Felipe e Denise, esta segurando Maria Tereza, estão pela sala. Alguns sentados no sofá, no chão, comendo pipoca, mas todos vidrados na TV, assistindo ao desfile de Talita.
Kátia: (orgulhosa) Mas essa minha filha é muito linda mesmo…
Wagner: Linda assim, só poderia ter saído de você.
Kátia: Hum…
Os dois dão um selinho.
Priscila e Marcelo:
Priscila: Depois de tanto sufoco… Ela venceu na vida…
Denise aponta para a TV, mostrando para Maria Tereza.
Denise: Olha lá, Tetê! É a sua mamãe na TV!
Maria Tereza olha, sorrindo.
Maria Tereza: (aponta para a TV) Mamãe!
Priscila: (surpresa) Ai, meu Deus! Ela falou!
Kátia: (alegre) E falou mamãe!
Todos vibram com a primeira palavra da garotinha. Clima muito fraterno.
Cena 55. Desfile de moda. Camarim. Noite.
Camarim vazio. Talita entra e se joga em uma poltrona, suspirando e sorrindo. Ela se olha no espelho.
Talita: (p/si) Isso tudo aqui tá tão bom… A minha vida, minha independência… Era tudo que eu precisava. Eu não quero mais ter que voltar pro Brasil… (t) É… Infelizmente eu tava odiando ter que cuidar de criança, viver aquela vidinha de mulherzinha… Não aguentava mais fingir… Viver com o Marcelo e com a Pri foi bom enquanto tudo era somente diversão... Agora que ficou sério... É, perdeu a graça...
Talita pega uma foto de Maria Tereza em cima de sua bolsa e olha para ela, com tristeza.
Talita: Me perdoa por ter te colocado nesse mundo, pra depois não te querer mais, minha filha… Na verdade eu nunca te quis… Mas eles insistiram tanto pra que eu não te tirasse… (suspira) AH! Desculpa te abandonar, meu bem… Mas eles vão cuidar melhor de você do que eu cuidaria… Você vai ser feliz, te juro! Eu não volto mais pro Brasil… Desculpa, mas eu não volto mais!
Uma lágrima escorre do olho de Talita e cai na foto. Ela enxuga a lágrima e volta a se olhar no espelho.
Talita: Eu não posso mais me torturar vivendo uma vida que eu nunca quis… Eu não posso!
E na convicção de Talita, a imagem se apaga.
F I M
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