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PRAZER, SATISFAÇÃO - CAPÍTULO 4

  




Cena 1. Colégio Progredir. Pátio. Dia.

Felipe, Gabriel e Danilo sentados na arquibancada:

Felipe: Eu, virgem? De onde cê tirou isso, muleque? Cê sabe muito bem que eu já transei! Inclusive foi com a Luana do terceiro B, quando a gente tinha 14 anos/

Danilo: Você já contou essa história mais de mil vezes (ri). E foi a sua única transa, claro... 

Felipe: A minha vida sexual aqui não vem ao caso!

Danilo: Não precisa ficar irritadinho não... Mas cê vai participar dessa aposta e provar pra gente que você ainda é capaz sim de comer uma mulher? (Debochado) A gente tá começando a duvidar do seu potencial... Né não, Bielzinho? Três anos sem dar umazinha... (ri)

Gabriel ri.

Felipe: (constrangido) CALA A BOCA!

Felipe baixa a cabeça e pensa um pouco... 

Felipe: (baixo) Tudo bem... Aposta tá aceita...

Danilo: Isso, garoto! 

Gabriel: E vê se não demora, hein?!

Felipe vidra o olhar, duvidando se fez o certo... Close nele.

Cena 2. Bordel. Gramado. Dia.

Uma van para ali e dela saltam as dez meninas e Kátia. Elas adentram o bordel.

Cena 3. Bordel. Salão. Dia.

As meninas entram e Kelly as recebe, preocupada.

Kelly: E vocês tão bem? Eu vou pedir pra Valéria fazer um suco de maracujá pra vocês!

Taís vai até Kelly.

Taís: Kelly, eu tenho que te falar uma coisa!

Kelly: O que foi, Taís?

Taís: O homem que marcou a orgia, o tal figurão... Ele tá cobrando!

Kelly: Paciência, ué! Vocês se acidentaram, o prazer e a satisfação podem esperar!

Taís: Ele ligou pra Kátia... A coitada nem tem coragem de tocar no assunto, tá apavorada.

Kelly: O que foi que ele disse, Taís? 

Taís: Ele disse que quer a orgia de qualquer jeito e pra hoje... E disse que se nós não cumprirmos... (apavorada) Ele manda uma moto passar aqui à noite atirando pra matar todas nós...

Kelly: (chocada) Como é que é?

Cena 4. Hospital. Salinha atrás do banheiro. Dia.

Juliana diante de Viviane, pensando em uma desculpa.

Viviane: Hein, dona Juliana? O que tava fazendo trancada aqui?

Juliana finge uma dor de cabeça.

Juliana: (fingindo dor) Ai... Eu tô com uma dor de cabeça muito forte, sabe... Eu precisava arrumar um lugar tranquilo e silencioso pra tentar dar uma descansada... Esse hospital é muito barulhento...

Viviane: Ah, por que não falou antes? Eu tenho um remedinho aqui que é tiro e queda...

Ela tira uma cartela de comprimidos da bolsa.

Juliana: Ah, não precisa, Vivi...

Viviane: Claro que precisa, toma aqui. Em cinco minutinhos cê tá boazinha. (Entrega o comprimido na mão dela)

Juliana: Vou pegar um copo d'água... Obrigada!

Juliana sai da sala.

Cena 5. Hospital. Corredor. Dia.

Juliana passa disfarçadamente perto de uma lixeira e joga o comprimido fora. Ela ri.

Cena 6. Bordel. Salão. Dia.

Kelly revoltada diante das meninas.

Kelly: Quem esse cara pensa que é pra nos ameaçar assim? O dono do mundo, é? Vocês se acidentaram, não podem! Eu não permito. Eu zelo pelo bem estar de vocês!

Taís: Ele é um homem influente. É delegado. Pode muito bem cumprir a ameaça. É só ele estalar os dedos e a gente está lascada!

Kelly: Então quer dizer que se ele quiser abrir fogo nesse bordel, nos matar, ele pode? E vai ficar impune?

Kátia vai até ela.

Kátia: Infelizmente, Kelly... Você pode ser nova no ramo, mas devia saber que é assim que funciona... Essa gente poderosa usa e abusa do poder que têm pra obrigar meninas como nós a fazer o que eles querem... É triste, é absurdo, mas é a realidade nua e crua, minha amiga...

Kelly se senta, em estado de choque... No close dela;

Abertura:


Cena 7. Bordel. Salão. Dia.

Continuação imediata da cena anterior.

Kelly: (revoltada) Isso é muito injusto! Não pode ser! Não pode!

Kátia: Além do mais, Kelly... Ele pode até nos denunciar por cafetinagem... Nós tratamos bem as garotas, mas o trabalho não é regularizado... E também tem o fato de que o Raul registrou o bordel como um restaurante... Se ele também levar a denúncia pra esse lado, a gente pode ser acusada de falsidade ideológica, sonegação fiscal e pegar uma cana braba...

Os olhos de Kelly marejam e ela chora, com desgosto...

Kelly: (chateada) Droga, droga, droga! A gente tá toda encalacrada também... (se dá por vencida) Meninas, vocês conseguem ir pra esse lugar? 

Maioria das meninas: Sim, acho que sim.

Kelly: As que não conseguirem, de verdade, venham comigo. (T) Kátia, você me consegue mais duas meninas pra fechar as dez? 

Kátia: Eu consigo. Tenho meus contatos. Fica tranquila.

Kelly: Você é fera, amiga!

Duas meninas vão com Kelly até a escada. O restante fica, à mercê das ordens de Kátia.

Kátia: Bom, não tem como fugir. Se arrumem, que a gente tem pouco tempo.

As garotas tiram as maquiagens de dentro de suas bolsas e vão ajudando umas as outras a se aprontarem. Kátia observa a cena...

Cena 8. Bordel. Banheiro. Dia.

Kelly se senta na banheira, chorando, triste e pensativa...

Kelly: (chora) Que vida é essa, meu Deus? Eu tô por um fio, enrolada até o pescoço... Que gente é essa que eu estou me envolvendo? Não foi essa a vida que a minha mãe quis pra mim... Não foi...

Ela passa a mão pelos cabelos e respira fundo.

Cena 9. Casa de Juliana. Dia.

Anne entra em casa, percebendo que não há ninguém.

Anne: Ih, ninguém em casa... Ótimo. Vou fazer um macarrão com queijo pra comer enquanto vejo os capítulos atrasados de Evil List.

Anne vai até a cozinha, enche uma panela com água e coloca sobre a boca do fogão. Ela olha pro nada, pensativa...

Anne: (pensativa) E esse Felipe, hein...? Não sei se senti uma energia boa vinda dele... E ele ainda quer sair comigo... Mas será? Até que ele é gatinho, vai...

Cena 10. Casa de Felipe. Quarto de Felipe. Dia.

Felipe deitado na cama...

Felipe: Eu não sou um virjão! Não sou! Eu vou conquistar a Anne e provar pra eles. Ai, Anne... Você vai ser minha e gente vai pra cama!

Tensão.

Cena 11. Bordel. Frente. Gramado. Dia.

As 8 meninas entram na van. Kátia entra na frente, ogo depois.

Kátia: (ao motorista) Amigo, no caminho cê vai passar no bordel da Nicole. 

Motorista: E onde fica?

Kátia: Eu vou te indicar. Pode seguir reto...

A van é ligada e segue em frente.

Cena 12. Bordel de Nicole. Salão. Dia.

No salão, Kátia conversando com a cafetina Nicole:

Kátia: Nicole, como eu te disse no celular, eu preciso de duas meninas suas, pra agora!

Nicole: Eu vou olhar se a Pathy e a Megan estão disponíveis! Se estiverem...

Kátia: Elas têm que ir comigo! É urgente, caso de vida ou morte.

Nicole: Calma, gata! Eu vou lá em cima ver isso.

Kátia: Tá bem!

Nicole sobe as escadas. Na ansiedade de Kátia, corta para:

Cena 13. Colégio Progredir. Diretoria. Dia.

Stela entra na diretoria e se senta numa cadeira, abrindo uma agenda.

Stela: Ah, meu Deus, como eu ia me esquecendo... Tenho que ligar pra mãe da aluna Anne do 3°ano. O histórico dela ficou faltando...

Stela pega o telefone, disca alguns números e põe o celular no ouvido.

Stela: (cel) Alô? Eu falo com a mãe da Anne Dumont?

Cena 14. Hospital. Refeitório. Dia.

Juliana almoçando em uma mesa, já ao celular.

Juliana: (cel) Ah, o histórico da Anne! (T) Tá bom... Olha, eu consigo chegar aí em meia hora! Vou aproveitar meu horário de almoço...

Cena 15. Colégio Progredir. Diretoria. Dia.

Stela volta o telefone para o gancho, encucada.

Stela: Essa voz... Ela não me é estranha... Hum... Deve ser só impressão.

Cena 16. Bordel de Nicole. Salão. Dia.

Nicole desce as escadas, trazendo Megan.

Nicole: Só vou poder te emprestar a Megan.

Megan: Infelizmente a Patrícia tá em outro programa... 

Kátia: Poxa... Eu precisava dela também...

Nicole: Mas só tem ela disponível...

Kátia: Tudo bem, eu dou um jeito! Pode vir comigo, Megan, eu sou de confiança! (T) Nicole, fica tranquila que eu pago ela e também te passo uma comissão.

Nicole: Ótimo! Tô mesmo precisando de uma graninha extra.

Kátia: Vem comigo, Megan, que a gente não pode perder mais tempo.

Kátia e Megan saem juntas do bordel.

Cena 17. Colégio Progredir. Diretoria. Dia.

Stela mexe no computador. Yara abre uma fresta da porta.

Yara: Stela, a mãe da Anne do 3°ano já está aqui.

Stela: Manda entrar!

Stela volta a mexer no computador.

Instantes e em câmera lenta Juliana entra pela porta. Stela, ao olhar para a porta, entra imediatamente em estado de choque. Juliana arregala os olhos, chocada.

Juliana: (trêmula) Vo-você?

Stela: Não pode ser...

Stela boquiaberta, sem reação.

Foco em Stela/ A imagem congela com um fundo esfumaçado.


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